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Simulação aponta possível redução do efeito da toxina botulínica com remédios GLP-1
Foto: Arquivo pessoal
Saúde

Simulação aponta possível redução do efeito da toxina botulínica com remédios GLP-1

Pesquisa com pacientes virtuais levantou hipótese, mas especialistas dizem que ainda não há comprovação clínica da relação.

Uma pesquisa publicada em outubro de 2025 levantou a hipótese de que medicamentos relacionados ao GLP-1 podem reduzir a duração da toxina botulínica. O estudo foi feito com pacientes virtuais, e os resultados ainda não comprovam que a associação ocorra na prática.

A simulação reuniu 25 mil pacientes: 20 mil receberam toxina botulínica tipo A para enxaqueca crônica e cinco mil foram submetidos à aplicação no masseter, músculo localizado na lateral da face. Foram analisados semaglutida, tirzepatida, liraglutida e dulaglutida.

Na simulação para enxaqueca, a toxina durou, em média, 14 semanas no grupo de controle. Entre os usuários dos medicamentos, o período ficou entre 11,8 e 12,6 semanas. No masseter, a duração estimada passou de 20,1 semanas para um intervalo de 16,2 a 17,3 semanas. A tirzepatida teve a maior redução estimada.

Relato de paciente

Jéssica Nascimento, 34 anos, jornalista em Brasília, aplica toxina botulínica há seis anos, duas vezes por ano, com a mesma profissional e o mesmo produto. O intervalo de cerca de seis meses costumava controlar as marcas de expressão na testa.

A mudança foi percebida cerca de dois meses depois do início do tratamento com tirzepatida. No mesmo período, Jéssica retomou a musculação e perdeu cerca de 10 kg ao longo de nove meses. “A sensação foi de que o efeito passou mais rápido desta vez”, afirmou.

A jornalista disse que já havia treinado em outros períodos sem notar alteração semelhante na duração da toxina. A experiência, porém, não estabelece uma relação entre os tratamentos.

Hipóteses e avaliação médica

A toxina botulínica reduz temporariamente a comunicação entre nervos e músculos e, assim, a contração muscular. Entre as possibilidades avaliadas pelos pesquisadores estão mudanças na comunicação neuromuscular, redução de massa magra e alterações metabólicas.

O emagrecimento também pode mudar a percepção do resultado estético. De acordo com Wesley Ferreira, dermatologista, CEO da Singular Medicina Estética e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a perda rápida de peso com redução de massa muscular pode diminuir a firmeza e a sustentação da pele, deixando linhas mais aparentes sem indicar necessariamente que a toxina perdeu o efeito.

“Até o momento, não existe um estudo clínico realizado com pacientes que comprove essa associação”, explicou Ferreira. Atualmente, não há exame capaz de determinar se a tirzepatida provocou a redução do efeito. Dose, concentração, procedência e armazenamento da toxina, além das características individuais, também precisam ser avaliados.

Não há evidência que justifique interromper a tirzepatida ou mudar automaticamente a dose e o intervalo das aplicações. Estudos com pacientes reais ainda serão necessários. Intervalos inferiores a três meses, doses elevadas em determinadas indicações e a alternância entre produtos podem estar relacionados à perda de efetividade.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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