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Anvisa apura 13 suspeitas de doença ocular associadas a canetas emagrecedoras
Foto: Magnific/Magnific
Saúde

Anvisa apura 13 suspeitas de doença ocular associadas a canetas emagrecedoras

Agência investiga possíveis casos de neuropatia óptica em usuários de semaglutida e tirzepatida, mas não confirmou relação com os remédios.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações suspeitas de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIANA), doença rara associada à perda de visão, em pessoas que usam medicamentos agonistas do GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras.

A doença ocorre quando há redução do fluxo de sangue para o nervo óptico. O quadro pode causar perda súbita e indolor da visão, geralmente em um dos olhos, com possibilidade de sequelas permanentes. A Anvisa ressalta que as notificações não representam casos confirmados. “A presença do medicamento e do evento em uma notificação não estabelece, de forma definitiva, que o medicamento tenha causado a neuropatia ou a perda de visão”, informou a agência.

Entre os registros, 5 estão relacionados ao Ozempic, 3 ao Wegovy e 2 ao Wegovy FlexTouch, todos à base de semaglutida. Também há 2 notificações ligadas ao Rybelsus, versão oral da substância, e 1 associada ao Mounjaro, que contém tirzepatida.

O que mostram os estudos

Um estudo publicado em 2024 na revista JAMA Ophthalmology apontou risco de NOIANA 4,28 vezes maior entre pessoas com diabetes tipo 2 que usavam semaglutida. Entre pessoas com sobrepeso ou obesidade, a chance foi 7,64 vezes maior. A análise acompanhou 16.827 pacientes de uma clínica especializada em doenças neuro-oftalmológicas.

Os próprios autores afirmaram que o estudo observacional não comprova relação de causa e efeito e que são necessárias novas pesquisas. Também não se sabe qual mecanismo poderia explicar uma possível associação. Para Mauro Goldbaum, secretário geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, outras pesquisas indicaram associações menores ou irrelevantes.

Desde junho do ano passado, a Anvisa determinou que a NOIANA fosse incluída nas bulas de medicamentos à base de semaglutida como reação adversa “muito rara”.

Orientação aos pacientes

A oftalmologista Clarissa Pereira afirma que os resultados devem ser interpretados com cautela. Para pessoas que usam semaglutida e não apresentam sintomas visuais, as evidências atuais não justificam a interrupção automática do tratamento.

Uma nota conjunta das sociedades brasileiras de Diabetes, para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, de Endocrinologia e Metabologia e de Oftalmologia recomendou a manutenção do medicamento para pessoas assintomáticas com indicação médica. O documento também orientou exames periódicos de retina para usuários com diabetes e interrupção imediata em caso de NOIANA ou perda súbita da visão, seguida de avaliação oftalmológica.

Pereira recomenda atendimento oftalmológico, de preferência neuro-oftalmológico, com urgência diante de perda visual súbita ou rapidamente progressiva durante o tratamento. “Qualquer perda visual súbita durante o uso da medicação deve ser avaliada imediatamente”.

A Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos à base de semaglutida, disse que seus ensaios clínicos registraram poucos casos confirmados de NOIANA e não mostraram aumento da incidência entre os usuários. A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, afirmou que monitora, avalia e comunica às autoridades as informações de segurança relacionadas aos seus medicamentos.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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