A Amazônia se consolidou como corredor para o transporte de cocaína produzida na Colômbia, no Peru e na Bolívia, com conexões entre facções brasileiras e mercados europeus. Um relatório elaborado por Gabriel Funari, da Global Initiative, aponta que o Amapá e a Guiana Francesa ganharam importância nas exportações da droga, ao lado das rotas tradicionais por Belém.
O levantamento indica que os carregamentos são levados principalmente por rios até Manaus, em pequenas embarcações pesqueiras. A cidade funciona como entreposto para a distribuição das cargas ao Sudeste ou para o envio a Belém, de onde a cocaína segue pelo Atlântico. Uma parcela menor chega à região de Manaus em aviões de pequeno porte.
Novas formas de transporte
De acordo com o relatório, embarcações pesqueiras capazes de navegar em rios e águas internacionais são usadas para ocultar a droga. Também aparecem entre os métodos citados submersíveis, lanchas blindadas, contêineres, pequenos aviões e pistas clandestinas.
No Amapá, os chamados narcomergulhadores aproveitam a espera de navios transatlânticos ancorados perto dos portos de Macapá e Santana. Eles fixam cargas de cocaína nos compartimentos dos navios durante a noite, em uma prática conhecida como rip-on. Segundo a Global Initiative, alguns são ex-mergulhadores da Marinha ou bombeiros treinados levados de avião de São Paulo ou Rio de Janeiro.
A bacia amazônica conecta áreas produtoras andinas a portos globais. A rota do Solimões, criada historicamente pelos cartéis de Medellín e Cali, passa pela região de Tabatinga, na tríplice fronteira com Peru e Colômbia, e hoje está sob controle do Comando Vermelho. Depois da queda dos cartéis, as FARC e o Comando Vermelho formaram alianças táticas.
Relação com a mineração ilegal
O relatório também relaciona o tráfico de cocaína à mineração ilegal de ouro. Organizações criminosas reinvestem lucros do tráfico no setor aurífero e aproveitam estruturas do garimpo, como redes de aviões, pistas clandestinas e agentes públicos corrompidos.
Segundo Funari, a cotação do ouro chegou a US$ 5,5 mil por onça em janeiro de 2026. O relatório aponta a possibilidade de aumento das conexões entre o tráfico de drogas e a mineração ilegal na Amazônia.








