A dor nas pernas que aparece no fim do dia ou durante a noite pode ser dor do crescimento, especialmente quando afeta os dois lados e desaparece até a manhã seguinte. Nesses casos, a criança costuma voltar a caminhar, correr e brincar normalmente.
A condição é benigna e atinge até 20% das crianças em idade escolar. Apesar do nome, não há evidências científicas de que o desconforto seja causado pelo crescimento dos ossos ou por fases de crescimento acelerado.
Como reconhecer o padrão
A dor geralmente se concentra na parte da frente das coxas, nas panturrilhas ou atrás dos joelhos. Ela pode despertar a criança durante o sono, mas não costuma provocar limitações no dia seguinte.
As causas ainda não são totalmente conhecidas. Entre as hipóteses estudadas estão fadiga muscular, fatores genéticos e uma possível associação com deficiência de ferro ou vitamina D em alguns pacientes. Nenhuma dessas possibilidades explica todos os casos.
O quadro tende a desaparecer espontaneamente e não causa lesões nem compromete o desenvolvimento infantil.
Medidas para aliviar o desconforto
Massagens na área dolorida, compressas ou aplicação de calor local e alongamentos antes de dormir podem ajudar durante as crises. Em episódios mais intensos, analgésicos só devem ser usados com orientação médica. A resposta varia entre as crianças, e anti-inflamatórios tradicionais muitas vezes não são eficazes.
Estudo testa laser e ultrassom
Pesquisadores da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) e do Instituto de Física da USP de São Carlos fizeram um estudo piloto para avaliar a segurança de uma combinação de laser de baixa intensidade e ultrassom.
A pesquisa envolveu nove crianças com diagnóstico confirmado. Um grupo recebeu uma sessão da terapia, enquanto o outro passou pelo mesmo procedimento com o equipamento desligado. A aplicação foi feita nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, e não nas pernas.
Depois da sessão, houve redução da dor entre as crianças que receberam o tratamento, sem efeitos adversos relacionados à técnica. Os resultados foram publicados em abril no Journal of Biophotonics. O objetivo principal, porém, era avaliar a segurança, e não comprovar a eficácia em larga escala.
Lucas Pereira Liberal, estudante de medicina e um dos autores, disse: "Nossa ideia foi buscar uma terapia direcionada especificamente à dor do crescimento".
Estudos com mais participantes ainda serão necessários para verificar se o método é eficaz e pode ser incorporado à prática clínica. A ortopedista pediátrica Susana dos Reis Braga, do Einstein Hospital Israelita, destacou que essa validação ainda precisa ser feita.
Diagnóstico e sinais de alerta
Não há exame específico para confirmar a dor do crescimento. A avaliação é clínica e considera a localização, os horários e a ocorrência da dor nas duas pernas, além da ausência de limitações pela manhã. Exames complementares podem ser pedidos para descartar outras doenças.
A consulta médica deve ser procurada quando a dor ocorre sempre na mesma perna, permanece durante o dia, causa dificuldade para andar ou vem acompanhada de inchaço nas articulações. Febre, perda de peso, manchas roxas e cansaço excessivo também exigem investigação.
Para Susana dos Reis Braga, esses sinais podem estar relacionados a doenças ortopédicas, reumatológicas, infecciosas ou hematológicas. Nesses casos, a avaliação não deve ser adiada.








