O transtorno alimentar restritivo/evitativo, conhecido como TARE, reduz a variedade ou a quantidade de alimentos consumidos. A condição é mais comum na infância, mas pode continuar na vida adulta ou surgir em qualquer fase da vida.
Diferentemente de outros transtornos alimentares, a recusa não está relacionada ao medo de ganhar peso nem a preocupações com a autoimagem. Entre os possíveis motivos estão o desinteresse pela comida, a sensibilidade a sabores, texturas e cheiros e o medo de consequências como engasgar ou vomitar.
Sinais e possíveis impactos
Em crianças, o TARE pode se parecer com a alimentação seletiva. A restrição, porém, tende a ser mais expressiva e pode provocar perda significativa de peso, deficiências nutricionais e prejuízos ao crescimento. Também pode dificultar a participação em atividades sociais e o estabelecimento de relacionamentos.
A causa exata ainda é desconhecida. Há indícios de relação com uma combinação de fatores genéticos, psicológicos e sociais, incluindo ansiedade, medo, influências ambientais e traumas.
Entre os sinais físicos estão constipação, dor abdominal, cólicas, maior intolerância ao frio, desmaios ou tonturas e fraqueza muscular. Também merecem atenção o pouco ou nenhum apetite, a sensação de saciedade antes das refeições, a limitação da quantidade ingerida, o consumo restrito a determinadas texturas ou sabores e o medo de engasgar durante as refeições.
Diagnóstico e tratamento
O TARE foi incluído na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicada em 2013. O diagnóstico considera critérios clínicos e os impactos da condição na saúde. Também é necessário confirmar que a restrição não ocorre por causa de uma autoimagem corporal distorcida e descartar outras causas externas ou condições médicas subjacentes.
A terapia cognitivo-comportamental é apontada como uma das abordagens mais eficientes. Ela pode ajudar a reconhecer pensamentos e comportamentos nocivos, reduzir a ansiedade relacionada à alimentação e lidar com desafios sensoriais. O tratamento também pode envolver exposição guiada a determinados alimentos.
Em casos de grave desnutrição ou de incapacidade de ingerir nutrientes suficientes por via oral, podem ser necessários suplementos e, quando indicado, medicamentos, sempre sob orientação profissional.








