O transtorno de escoriação, também chamado de dermatilomania ou skin picking, é uma condição mental marcada pelo impulso de cutucar, arranhar ou espremer a própria pele. O comportamento pode causar lesões e machucados e se torna um distúrbio quando ocorre de maneira sistemática, provocando danos e dificuldade para parar.
A escoriação pode atingir a pele saudável ou pequenas imperfeições, como espinhas, manchas, calos e marcas de feridas. O comportamento não está ligado necessariamente a preocupações estéticas. Em muitos casos, o impulso é quase automático e a pessoa só percebe que se machucou depois.
Causas e sinais
Não existe uma causa única para o transtorno. Entre os fatores possíveis estão disfunções neuroquímicas, mudanças hormonais, questões genéticas e aspectos psicológicos e ambientais. A condição é frequentemente associada à ansiedade, e a escoriação pode funcionar como uma tentativa de aliviar a tensão. O transtorno é enquadrado entre os obsessivos-compulsivos e pode responder a gatilhos emocionais.
Lesões frequentes são o principal sinal. Rosto, braços e mãos estão entre as regiões mais atingidas, mas os locais e os padrões do comportamento variam. Algumas pessoas concentram a escoriação em uma área, enquanto outras têm vários focos. Os rituais também podem envolver cutucar uma crosta ou espremer a pele de uma forma específica.
A onicofagia, que é o hábito compulsivo de roer as unhas, e a tricotilomania, caracterizada por arrancar o próprio cabelo, podem aparecer associadas ao transtorno. Nos casos mais graves, os machucados podem evoluir para cicatrizes, infecções, sangramentos e sepse. A vergonha das marcas ou da dificuldade de controlar o comportamento também pode levar ao afastamento de situações sociais.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é realizado por um médico psiquiatra. A avaliação considera se a pessoa belisca a pele, se tenta interromper o comportamento, se existe intenção de se machucar e se o hábito está relacionado a uma condição clínica ou mental ou ao uso de substâncias. Mesmo quando há ansiedade ou depressão, a pessoa com transtorno de escoriação não tem a intenção de se ferir; a impulsividade é um critério importante para diferenciar o problema.
O tratamento é definido caso a caso e costuma combinar medicamentos com estratégias comportamentais. Podem ser usados antipsicóticos, ansiolíticos ou antidepressivos, conforme a avaliação médica. Não há medicamento específico para o transtorno.
A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem utilizada por suas técnicas de reversão de hábito. Também pode ser necessário acompanhamento dermatológico para tratar as lesões e cicatrizes na pele.








