O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apresentou ao presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed, informações de inteligência sobre a retomada do programa nuclear do Irã. O encontro ocorreu durante uma visita não anunciada ao país no domingo (27).
Entre os dados compartilhados estavam detalhes sobre uma nova construção no sítio da montanha Pickaxe, a cerca de 225 quilômetros ao sul de Teerã. O local é considerado estratégico para possíveis esforços iranianos de reconstrução do programa nuclear.
A reunião foi confirmada pela WAM, agência estatal dos Emirados Árabes Unidos. O encontro marcou a primeira vez que o país reconheceu publicamente uma visita de Netanyahu. Segundo a agência, os dois líderes discutiram as relações bilaterais e formas de ampliá-las. O gabinete do premiê israelense afirmou que a conversa tratou do fortalecimento dos laços entre os países e dos desafios regionais.
Temas discutidos
As conversas também abordaram o grupo Houthi no Iêmen, a via navegável de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, e o Estreito de Ormuz. Um alto funcionário da segurança saudita participou da reunião, segundo fontes com conhecimento da visita.
Netanyahu afirmou que Israel avalia que o Irã poderia iniciar um ataque na região nas próximas semanas. A delegação israelense incluiu a esposa do primeiro-ministro, o chefe do Conselho de Segurança Nacional, o chefe do Mossad, um secretário militar e um assessor político.
A viagem ocorreu um mês antes da eleição israelense de 27 de outubro, em meio a uma disputa política sobre possíveis alertas recebidos por Israel antes do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Netanyahu nega ter recebido avisos. Em uma publicação na rede social X, ele escreveu: “Nunca me encontrei nem falei com o chefe da inteligência egípcia antes de 7 de outubro, e nenhum aviso me foi transmitido”.
Os rivais do primeiro-ministro usam as alegações para cobrar responsabilidade pela falha em impedir o ataque. Gadi Eizenkot, apontado como principal adversário de Netanyahu nas próximas eleições israelenses, disse que a revelação sobre o alerta “não deixa margem para dúvidas”.
Em maio, o gabinete de Netanyahu afirmou que ele havia visitado secretamente os Emirados Árabes Unidos em março, durante os primeiros dias da guerra com o Irã. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos negou a informação e a classificou como “completamente infundada”. Durante a guerra, Israel também teria enviado um sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro aos Emirados Árabes Unidos.








