Yahya Rahim Safavi, conselheiro militar do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira, 24, que o conflito no Oriente Médio poderá alcançar o Oceano Índico se os Estados Unidos ou Israel voltarem a atacar o país.
A declaração foi divulgada em vídeo pela agência iraniana Fars. Safavi, que já comandou a Guarda Revolucionária Iraniana, disse que a frente de combate pode avançar para além do Mar Vermelho. “é possível que, em resposta a mais uma guerra, a frente se expanda ainda mais, chegando ao Oceano Índico e talvez além”, afirmou.
O conselheiro também questionou se os Estados Unidos estariam preparados para uma eventual ampliação do confronto. A fala ocorre em meio à tensão nas rotas marítimas do Oriente Médio, especialmente no Estreito de Bab el-Mandeb, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
Rotas marítimas sob pressão
O avanço dos houthis, grupo apoiado pelo Irã, sobre a costa do Iêmen aumentou a importância do Bab el-Mandeb no conflito. A passagem conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra rotas marítimas entre Europa, Ásia e Oriente Médio.
Safavi não anunciou uma operação militar iraniana no Oceano Índico. A possibilidade mencionada por ele foi condicionada a novos ataques americanos ou israelenses contra o Irã.
Irã e Estados Unidos também disputam o controle e a segurança do Estreito de Ormuz, uma das principais vias para o transporte de petróleo e gás. O tráfego de embarcações na região está abaixo da média registrada antes da escalada do conflito.
Fala na ONU
A declaração ocorreu durante a participação do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Em discurso nesta quarta-feira, 23, ele acusou Estados Unidos e Israel de ataques contra civis e afirmou que o Irã havia sido alvo de terrorismo.
Pezeshkian criticou a situação em Gaza e defendeu a continuidade da resistência palestina. Ele também disse ter alterado o discurso após a fala do presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira. O iraniano rejeitou acusações de terrorismo e afirmou que Estados Unidos e Israel seriam “os verdadeiros” Estados terroristas e atingiriam civis.








