Uma investigação divulgada nesta terça-feira, 8, afirma que Benjamin Netanyahu foi alertado pelos Emirados Árabes Unidos sobre uma grande ofensiva do Hamas contra Israel quase 10 dias antes do ataque de 7 de outubro de 2023. Líderes da oposição israelense reagiram e pediram a saída do primeiro-ministro.
O aviso teria sido transmitido pelo presidente dos Emirados, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, após informações recebidas de um dirigente palestino. O líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, teria descrito o plano como “uma tremenda operação” e um “terremoto”.
A investigação afirma que Netanyahu não tomou providências depois de receber a informação. O gabinete do premiê rejeitou a acusação e declarou: “O primeiro-ministro não recebeu nenhuma advertência dos Emirados Árabes Unidos antes de 7 de outubro”. A nota também disse que os dois países poderiam ter trocado mensagens por canais de inteligência.
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou não ter “nenhum comentário” sobre o caso.
Gadi Eisenkot, ex-comandante militar e rival de Netanyahu nas eleições, acusou o primeiro-ministro de ignorar alertas e fugir da responsabilidade pelas falhas na resposta ao ataque. “Netanyahu recebeu dezenas de avisos antes de 7 de outubro e ignorou todos. Ele é inapto”, escreveu na rede social X.
O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett afirmou que Netanyahu tem responsabilidade pessoal e direta pela morte de 1.221 israelenses no ataque. Yair Golan, líder do partido Democratas, também disse que o premiê sabia do plano, ignorou os avisos e falhou.
Consequências do ataque
O ataque matou 1.200 pessoas em Israel e levou 251 reféns para a Faixa de Gaza. Em resposta, Israel realizou operações por céu e terra contra o território controlado pelo Hamas.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 73 mil palestinos morreram. Cerca de 80% das construções e edifícios do território foram destruídos, e quase um ano após o cessar-fogo, 67% da população local — mais de 1 milhão de pessoas — enfrenta níveis graves de fome e insegurança alimentar severa.
A revelação ocorre a menos de dois meses das eleições que, em outubro, escolherão um novo governo para Israel.








