ATAFONA — A Prefeitura de São João da Barra autorizou um estudo para investigar a erosão costeira no distrito de Atafona, no Rio de Janeiro. Em alguns trechos, o recuo da praia supera cinco metros por ano, velocidade classificada como extrema. A análise deve avaliar alternativas para áreas urbanas, equipamentos públicos e populações vulneráveis.
A ordem de serviço para iniciar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) foi assinada em 10 de julho de 2026. O município informou que o Plano de Trabalho deve ser apresentado em prazo médio de 30 dias. O documento vai organizar as etapas, os métodos e o cronograma da avaliação.
O estudo deve considerar fatores oceanográficos, climáticos e hidrossedimentológicos. Também vai comparar medidas de mitigação e adaptação, incluindo alternativas estruturais e não estruturais, custos, benefícios e possíveis impactos sobre ecossistemas costeiros e deltaicos.
Dinâmica da erosão
A erosão afeta a faixa construída de Atafona desde meados do século 20. Ondas, correntes marinhas e vento retiram areia continuamente da praia. Um relatório técnico municipal aponta que mudanças no canal do Rio Paraíba do Sul também alteram o transporte natural de sedimentos. Entre os fatores citados estão retirada de água, construção de barragens e extração de areia.
O Serviço Geológico do Brasil descreve a região como um delta moldado por ondas e antigas linhas de praia. Parte do material erodido em Atafona segue para a Praia de Grussaí, enquanto a linha costeira se reorganiza junto à foz do rio.
Impactos sobre moradores
Relatório técnico da Prefeitura registra a destruição de edificações e bens da população. Na praia, paredes rachadas, fundações expostas e terrenos desaparecidos evidenciam o avanço do mar.
Um decreto municipal de 2023 registra famílias que viviam em áreas afetadas e tiveram casas interditadas pela Defesa Civil. O documento também destinou um imóvel a programa habitacional para atender a população deslocada. Em julho de 2026, o portal municipal registrou uma ação emergencial no Pontal de Atafona para conter o avanço da água durante uma ressaca associada à maré.
Em palestra registrada pela Câmara Municipal de São João da Barra, o geólogo Eduardo Bulhões informou que o recuo chega a essa velocidade em trechos específicos. Registros geológicos oficiais indicam que a taxa varia conforme a área e a época do ano. Estudos relacionam a vazão do Paraíba do Sul ao comportamento da costa: quando a vazão máxima diminui, a erosão tende a aumentar no ano seguinte.
O Diário Oficial informou em março de 2026 que o EVTEA analisaria a dinâmica costeira e alternativas para enfrentar o problema. Registros municipais de 2024, 2025 e 2026 apontam etapas anteriores de planejamento, financiamento e licitação.








