ITAPOÃ — A família de Erick Sousa Soares, de 12 anos, pediu uma nova análise da decisão do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sobre a morte do menino após uma descarga elétrica em um trailer. O pedido foi apresentado antes do envio do caso à vara da Justiça do Distrito Federal.
O MPDFT rejeitou, por ora, a hipótese de homicídio doloso. A manifestação foi apresentada em 26 de agosto, depois de a 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) apontar possível responsabilidade criminal do proprietário do veículo.
O promotor Daniel Bernoulli Lucena de Oliveira afirmou que “não se identificou a existência de elementos que indicassem a ocorrência de um crime doloso contra a vida, seja ele dolo direto ou eventual”. O órgão, porém, considerou que a investigação pode envolver imperícia, negligência e eventualmente fraude processual. Por isso, pediu o envio dos autos à Vara Criminal do Itapoã.
O que a investigação apontou
A família citou depoimentos que indicariam que o proprietário havia sido alertado sobre os riscos da estrutura metálica do trailer. Entre os relatos está o de um eletricista que confeccionou uma extensão elétrica para o veículo. Segundo o depoimento, cerca de um mês antes do acidente, o responsável autorizou o serviço sem o aterramento necessário e teria dito que a falta do aterramento “não daria nada não”.
De acordo com o delegado Bruno Carvalho, equipes de perícia encontraram uma tomada interna que causava fuga de eletricidade. O trailer não tinha equipamentos de segurança nem aterramento, e era alimentado por uma extensão ligada a uma tomada residencial. O cabo passava pelo meio da rua e estava exposto, sem isolamento.
Testemunhas disseram que a extensão estava conectada quando Erick sofreu o choque. Policiais também ouviram que não era a primeira vez que choques elétricos eram identificados no veículo.
Após o pedido da família, o MPDFT solicitou a folha de antecedentes penais do proprietário para avaliar a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mecanismo que permite ao órgão não apresentar denúncia criminal mediante o cumprimento de condições pelo investigado.
Morte do menino
Erick morreu no dia 24 de julho. Ele brincava com amigos quando uma bola foi parar embaixo do trailer no Itapoã e recebeu uma descarga elétrica ao tentar recuperá-la. O choque provocou queimaduras graves, principalmente no pescoço e nos ombros, além de uma parada cardiorrespiratória.
O menino foi levado ao Hospital Região Leste (Paranoá), mas não resistiu. Em depoimento, o proprietário disse que não viu o momento do ocorrido, desconhecia a causa e afirmou que o trailer não estava energizado porque a extensão estaria desconectada. Erick foi sepultado no dia 26 de julho, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.








