A crise envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou no discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), que passou a usar as suspeitas contra integrantes da Corte e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, como tema de campanha. Ao mesmo tempo, o senador aparece relacionado às investigações sobre o caso por meio do filme Dark Horse.
Documentos divulgados na Operação Compliance Zero indicaram que a produção, que conta parte da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu recursos de Daniel Vorcaro. Áudios atribuídos a Flávio também foram revelados. Neles, o senador pede dinheiro ao banqueiro, em um montante que poderia chegar a R$ 134 milhões.
Mesmo sob investigação da Polícia Federal (PF), Flávio manteve os ataques a ministros do STF. Neste final de semana, comentou um vídeo em que Alexandre de Moraes e a esposa, Viviane Barci de Moraes, aparecem desembarcando de um jatinho que seria de Vorcaro. “Sentou na cadeira, aparelhou o Estado e sua máfia implodiu a democracia”, afirmou o senador.
Flávio também criticou Gonet após a divulgação de uma fotografia do procurador-geral ao lado de Vorcaro em um evento realizado em Londres, em 2024. Gonet negou ter mantido relação de proximidade com o banqueiro.
Investigações e disputa eleitoral
As diligências da PF apuram encontros pessoais e contratos entre empresas ligadas a Vorcaro e escritórios de advocacia ou consultoria relacionados, direta ou indiretamente, a integrantes do Supremo. A investigação busca esclarecer se pagamentos, contratos ou relações pessoais poderiam ter sido usados para obter influência ou benefícios para Vorcaro, suas empresas e o Banco Master.
Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Luiz Fux e André Mendonça são citados ou relacionados ao banqueiro. A divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro desencadeou uma disputa entre ministros do STF.
Na campanha, Flávio tentou transformar a crise em uma agenda contra o Supremo. Nos atos de 7 de setembro, durante uma ação na Avenida Paulista, afirmou que indicaria cinco ministros para o STF porque “Moraes vai cair”.
Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou divisão entre os eleitores sobre qual grupo político está mais associado ao escândalo: 41,2% citaram aliados de Bolsonaro, enquanto 40,2% mencionaram aliados do então presidente Lula. Para 49,5%, a crise no STF pode prejudicar mais a campanha de Lula; 20,9% apontaram maior impacto sobre Flávio.
O caso, portanto, permite ao senador associar Lula e Moraes no debate eleitoral, mas também mantém em evidência os documentos e as investigações que atingem o próprio candidato.








