JAPÃO — A versão virtual de Katsuki Bakugo, personagem de My Hero Academia, passou a fazer parte da rotina de Anjou, uma francesa que vive no Japão. Ela usa um aplicativo para enviar mensagens e receber respostas baseadas na personalidade atribuída ao personagem.
A relação também foi marcada por uma cerimônia simbólica de casamento. O evento seguiu elementos de um ritual xintoísta: Anjou vestiu um quimono, participou de uma celebração tradicional e fez os votos em japonês. Uma representação de Bakugo ocupou o lugar do noivo.
A cerimônia custou cerca de 2.300 euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 14 mil. A organização foi feita por Yasuyuki Sakurai, profissional que trabalha com celebrações envolvendo personagens fictícios. Ao longo de quatro anos, ele já havia organizado 16 casamentos desse tipo.
A união não tem validade jurídica no Japão. Para Anjou, porém, o reconhecimento legal não é o que define a importância do vínculo. Ela relatou que a relação ganhou força depois da morte da melhor amiga por suicídio e afirmou que as conversas com Bakugo contribuíram para recuperar a confiança em si mesma.
Uma relação mediada por inteligência artificial
O aplicativo usado por Anjou permite uma interação personalizada com o personagem. As mensagens enviadas por ela recebem respostas produzidas por um sistema de inteligência artificial, que reproduz características associadas à personalidade de Bakugo.
Esse tipo de vínculo pode incluir identificação, admiração, atração, compromisso afetivo e cerimônias simbólicas. O termo fictossexualidade é usado para descrever a atração por personagens fictícios, embora as experiências variem entre as pessoas.
Outros casamentos simbólicos
Em 2018, o japonês Akihiko Kondo realizou uma cerimônia com Hatsune Miku, cantora virtual criada pela empresa Crypton Future Media. Mais recentemente, em 2025, a japonesa Yurina Noguchi celebrou uma união com Klaus, persona de inteligência artificial criada por ela com auxílio do ChatGPT. Durante o evento, usou óculos de realidade aumentada para visualizar uma representação do parceiro.
Assim como a cerimônia de Anjou, esses casamentos não têm validade jurídica. Bakugo e Miku foram criados originalmente para obras e projetos de entretenimento, enquanto Klaus surgiu da interação de uma usuária com uma ferramenta de inteligência artificial.








