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Artesão japonês transforma madeira danificada por ursos em peças de arte
Foto: Reprodução/Takuya Tsutsumi
Brasil

Artesão japonês transforma madeira danificada por ursos em peças de arte

Projeto usa urushi para reaproveitar árvores afetadas por ursos e estimular a reflexão sobre a convivência entre pessoas e natureza.

Um artesão japonês encontrou uma forma de reaproveitar árvores danificadas por ursos: transformá-las em peças de arte com acabamento feito de urushi, uma resina natural. A iniciativa busca reduzir a perda comercial da madeira e abrir espaço para uma discussão sobre a convivência entre humanos e animais.

Takuya Tsutsumi é proprietário da Tsutsumi Asakichi Urushi Inc., empresa familiar sediada em Kyoto e dedicada ao uso tradicional do urushi. Segundo ele, o chamado kumahagi ocorre quando os ursos descascam árvores em busca de seiva e nutrientes depois da hibernação.

O ataque pode deixar a madeira com textura irregular, dificultando o corte em peças retas e padronizadas. “Uma árvore de cedro japonês padrão perde no mínimo 25% do seu valor se for danificada por ursos”, disse Tsutsumi. Mesmo depois de serrada, a madeira pode revelar danos internos, deformações ou descolorações, reduzindo ainda mais seu preço.

Madeira ganha nova função

Em 2022, Tsutsumi criou o Bears Wood Project. A proposta é evitar que árvores antigas e danificadas sejam levadas para trituradores de madeira. Com camadas de urushi, as marcas deixadas pelas garras são destacadas em vez de escondidas.

As peças produzidas incluem pranchas de surfe, skates, agarras de escalada, placas para estúdios de tatuagem, cadeiras e materiais para reformas residenciais. Os produtos são vendidos na loja da empresa em Kyoto, que também promove workshops sobre os ursos asiáticos japoneses e a conservação da natureza.

Desde o lançamento do projeto, foram realizadas mais de uma dezena de sessões para participantes de diferentes idades. A proposta é mostrar que árvores danificadas também podem ter valor artístico e que sua preservação se relaciona com a biodiversidade das florestas.

Liam Adcock, pesquisador do Centro de Pesquisa da Vida Selvagem de Picchio, no Japão, afirmou que árvores mortas ou em decomposição servem de abrigo e alimento para insetos, fungos e outros organismos. Cavidades formadas em árvores antigas também podem ser importantes para espécies como a coruja-pescadora-de-Blakiston, ameaçada de extinção, da qual restam apenas 150 exemplares no Japão.

Tsutsumi diz que o projeto pretende mudar o foco do debate sobre os ursos, frequentemente associado a perigo e abate. “Em vez de pensar se os ursos devem ser mortos, perguntamos como podemos reconstruir um ambiente em que pessoas e ursos coexistam”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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