Uma diferença maior entre os horários das refeições durante a semana e no fim de semana foi associada a mais riscos cardiovasculares entre homens. A relação não foi identificada entre mulheres, de acordo com um estudo liderado por cientistas europeus e publicado na revista Communications Medicine no início de setembro.
A pesquisa analisou dados de mais de 104 mil adultos inscritos em um estudo de saúde em andamento. Os hábitos alimentares foram comparados com a ocorrência de doenças cardiovasculares, em um acompanhamento médio de 8,1 anos.
Como os horários foram calculados
Para medir a variação, os pesquisadores identificaram o ponto médio entre o primeiro momento em que cada participante comeu ou bebeu algo durante os dias úteis e o último momento em que isso ocorreu. O mesmo cálculo foi feito para o fim de semana.
Quanto maior foi a diferença entre esses pontos médios, maior foi o risco associado a doenças cardiovasculares. Um atraso de uma hora nos horários de alimentação esteve relacionado a uma elevação de 14% no risco de doenças do sistema cardiovascular e de 21% no risco de doença arterial coronariana, que inclui ataques cardíacos.
A mudança nos horários de sono e alimentação durante o fim de semana faz parte do chamado jet lag social, relacionado às diferenças entre a rotina dos dias úteis e a dos dias de descanso. Os pesquisadores sugerem que essa irregularidade pode afetar os ritmos circadianos, responsáveis por coordenar a homeostase e o metabolismo em um ciclo de aproximadamente 24 horas.
Segundo os cientistas, alterações nos relógios biológicos masculinos também podem impor estresse adicional ao organismo e atingir o coração. A explicação para a ausência da mesma associação entre mulheres estaria em diferenças hormonais e metabólicas.
Os autores afirmam que ainda são necessárias análises com um grupo mais amplo de pessoas. Também é preciso testar se corrigir o jet lag social pode trazer benefícios à saúde do coração a longo prazo.








