BELÉM, PARÁ — A campanha de Hana Ghassan (MDB) ao governo do Pará tenta combinar a associação com a gestão de Helder Barbalho (MDB) e a construção de uma identidade política própria. A avaliação é do publicitário e estrategista Edmilson Ferreira, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
A aproximação com Helder começou antes da campanha, segundo Ferreira. Um dos marcos foi o anúncio feito pelo então governador, em julho de 2023, de que Hana seria escolhida para a sucessão. A trajetória dela nas Usinas da Paz e, depois, na coordenação executiva da COP 30 também passou a integrar a construção da candidatura.
Para o estrategista, a comunicação apresenta Hana como continuidade administrativa de um grupo político associado a um governo bem avaliado. Ele ressalta, porém, que o capital político de uma liderança não é transferido automaticamente para o sucessor. “A transferência de voto não é um fenômeno simples de ocorrer”, afirmou.
Diferenças na comunicação
Ferreira identifica mudanças na forma como os dois políticos são apresentados. A imagem de Helder, segundo ele, foi ligada a grandes obras e a uma presença mais forte em Belém. Já a campanha de Hana procura destacar maior presença no interior e atributos relacionados a cuidado e gestão.
O desafio, na avaliação do estrategista, é fazer essa diferenciação sem perder a associação com a administração anterior. Ele afirma que a campanha conseguiu apresentar Hana como uma extensão do governo, mas ainda há distância entre essa imagem e a consolidação de uma liderança independente.
A comparação com Dilma Rousseff também aparece na análise por causa da estratégia de sucessão. Em 2010, ela foi lançada pelo PT como nome de continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e venceu o segundo turno contra José Serra. Ferreira ressalta que os contextos das duas eleições são diferentes.
No Pará, Hana construiu a trajetória na administração pública antes de disputar uma eleição majoritária. Dr. Daniel Santos (Podemos), adversário na disputa, acumulou experiência como vereador, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Pará e prefeito de Ananindeua. Para Ferreira, essa diferença aumenta a necessidade de Hana consolidar rapidamente uma identidade política própria.
Pesquisas mostram cenários diferentes
Os levantamentos divulgados durante a campanha registraram resultados distintos. Em 15 de setembro, pesquisa Real Time Big Data apontou Hana com 40% das intenções de voto, contra 35% de Dr. Daniel. A Quaest, divulgada no fim de agosto, registrou 27% para Hana e 28% para Daniel, em empate técnico.
Outro levantamento do Real Time Big Data, realizado entre os dias 23 e 26 e divulgado em 28 de setembro, indicou Hana com 52% e Daniel com 44% no cenário estimulado de primeiro turno.
Para Ferreira, as variações impedem que a relação entre a avaliação da gestão de Helder, a imagem do ex-governador e a intenção de voto em Hana seja tratada como uma transferência automática. A principal questão da campanha, segundo ele, é definir o espaço da candidata dentro do grupo político e apresentar uma liderança com conhecimento da máquina pública, autonomia e independência.







