SÃO PAULO — A investigação da Operação Vectura Corrupta aponta que Milton Leite seria ligado à gestão de empresas de transporte coletivo investigadas por suspeita de controle do PCC. O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo se entregou à polícia na tarde de sexta-feira (18) e deve passar por audiência de custódia neste sábado, ainda durante a tarde, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, 12 de 22 empresas que operam no transporte coletivo da cidade foram identificadas como integrantes do grupo sob suspeita de controle da organização criminosa, com participação direta de políticos. O MP cita Milton nominalmente nos autos como o “responsável direto” por operações de companhias relacionadas ao esquema.
Declarações de policiais militares ao Tribunal de Justiça Militar apontam o ex-vereador como “dono de fato” da concessionária Transwolff, principal empresa mencionada na apuração. Interceptações telefônicas entre integrantes do PCC também registraram conversas sobre a necessidade de envolver Milton para solucionar impasses das empresas investigadas.
Entrega à polícia
Milton foi considerado foragido depois de não ser localizado no cumprimento de um mandado de prisão. Na manhã de sexta-feira, a Polícia Civil tentou encontrá-lo na casa de um assessor ligado a ele, em Sorocaba. O político não estava no endereço, onde foram apreendidos R$ 287 mil e US$ 89 mil.
Antes de se apresentar, Milton informou em nota que estava viajando. Depois da entrega, negou envolvimento com o PCC e disse que pretende provar a própria inocência. “Eu sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na Justiça e no trabalho da polícia”, afirmou.
Questionado sobre possível arrependimento, ele declarou: “Eu não cometi crime nenhum, nada devo”. Também disse que estava no interior e que voltou a Sorocaba antes de se apresentar à delegacia.
A operação foi deflagrada na última quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Civil. Também foram alvos Danilo Morgado, candidato a deputado estadual, Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e advogados.
Em nota, Milton afirmou que sua atuação no setor de transportes ocorreu de forma pública em 2019, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Segundo ele, na época ocupava a presidência da Câmara e a função de vice-prefeito na linha sucessória. Ele também negou todas as acusações.








