TAGUATINGA (DF) — A Justiça do Distrito Federal deve decidir nos próximos dias se os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva serão levados a júri pelas mortes de três pacientes na UTI do Hospital Anchieta. Os óbitos ocorreram entre novembro e dezembro de 2025.
A primeira fase da instrução terminou na última quinta-feira (24/9), após a coleta de provas e os depoimentos. Agora, o juiz vai analisar as alegações finais e verificar se existe base legal para enviar o caso ao Tribunal do Júri.
Possíveis decisões
O juiz poderá pronunciar os réus, caso considere que há indícios suficientes de autoria e prova de que os crimes aconteceram. Nesse cenário, os três seriam julgados por um júri popular.
Também poderá decidir pela impronúncia, se entender que não há provas suficientes sobre a autoria ou a existência dos crimes. O processo seria encerrado, mas poderia ser reaberto se surgissem novas provas.
Outra possibilidade é a desclassificação da denúncia por homicídio doloso, quando não há intenção de matar. O caso poderia ser enquadrado em outro crime, como lesão corporal seguida de morte, e deixaria de ser analisado pelo Tribunal do Júri. Há ainda a absolvição sumária, antes do julgamento.
Mais de 32 testemunhas foram ouvidas no fim de maio e no início de junho, em audiência realizada no Tribunal do Júri de Taguatinga. Os três técnicos foram os últimos a depor e negaram participação nas mortes.
Marcos Vinícius relatou o contato com as vítimas e afirmou que elas tiveram piora no estado de saúde. Marcela Camilly disse que não sabia o que havia acontecido e confirmou que Marcos poderia ter usado a presença dela para cometer os crimes sem ser descoberto. Amanda Rodrigues afirmou que esperava que ele assumisse a responsabilidade.
Denúncia e investigação
As imagens das câmeras de segurança do Hospital Anchieta embasaram a denúncia. Os registros mostram Marcos Vinícius prescrevendo uma substância com o login de uma médica que não estava de plantão, retirando o medicamento na farmácia e aplicando injeções intravenosas nos pacientes. Segundo a investigação, a substância era letal.
Marcela também aparece manuseando o produto na farmácia. Em 12 de março, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios denunciou os três por homicídio doloso e por cinco tentativas de homicídio. Se condenados, eles podem receber de 12 a 30 anos de prisão por cada morte.
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, em 11 de janeiro, a primeira fase da Operação Anúbis. O Hospital Anchieta havia comunicado o caso à polícia depois de identificar semelhanças entre os óbitos.
Segundo a investigação, os pacientes mortos foram João Clemente Pereira, de 63 anos; Marcos Moreira, de 33; e Miranilde Pereira da Silva, de 75. Os técnicos estão presos desde 12 de janeiro e aguardam a decisão da Justiça sobre os próximos passos do processo.








