O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Donald Trump de tentar impor suas vontades a outros países e afirmou que o chefe do governo dos Estados Unidos não pode interferir nas decisões de outras nações. A declaração foi dada nesta segunda-feira, 21, em entrevista à CNN Internacional.
Lula disse que Trump tem autoridade para governar os Estados Unidos, mas não para dirigir outros países. Ao comentar as tarifas americanas sobre o Brasil, afirmou que a medida foi baseada em “mentiras” e defendeu a busca por novos parceiros comerciais.
O presidente declarou que pretende ampliar as relações de compra e venda com outros países, sem concentrar a política comercial brasileira apenas nos Estados Unidos. Ele também afirmou que o Brasil poderá aplicar a lei da reciprocidade se as negociações não avançarem.
Enquanto as tratativas continuarem, Lula disse que prefere manter o diálogo e aguardar. Caso não haja acordo, afirmou que o governo brasileiro terá de adotar a reciprocidade. Apesar dessa possibilidade, descartou iniciar uma guerra tarifária com os Estados Unidos ou com qualquer outro país.
Relação com a família Bolsonaro
Na entrevista, Lula afirmou estar preocupado com a proximidade do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, com a família Bolsonaro. Segundo o presidente, não há, até o momento, algo concreto que indique interferência americana nas eleições brasileiras.
Lula disse ainda que Trump teria afirmado a outras pessoas que não pretende interferir no processo eleitoral do Brasil. Para o presidente brasileiro, a eleição americana cabe ao povo dos Estados Unidos, enquanto a eleição brasileira é uma questão do Brasil.
Documentos entregues a Trump
Lula afirmou que entregou quatro documentos a Trump durante um encontro entre os dois presidentes. Um dos textos apresentava uma proposta de cooperação no combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas.
O presidente brasileiro disse que ainda não recebeu resposta sobre a proposta, mas afirmou que o Brasil está disposto a trabalhar com os Estados Unidos contra o crime organizado em qualquer parte do mundo.








