BRASÍLIA — Michelle Bolsonaro (PL) foi eleita senadora pelo Distrito Federal neste domingo, 4, em sua primeira disputa eleitoral. Ela recebeu 938.496 votos, equivalentes a 29,05% dos votos válidos, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A segunda vaga do DF ficou com a deputada federal Bia Kicis (PL), que obteve 886.616 votos, ou 27,44%. Leila do Vôlei (PDT), candidata à reeleição, terminou em terceiro, com 21,25%, enquanto Erika Kokay (PT) ficou em quarto.
Nascida em Ceilândia, Michelle tem 44 anos. À Justiça Eleitoral, declarou ensino superior incompleto e ocupação de empresária. Entre 2004 e 2008, trabalhou como secretária parlamentar na Câmara dos Deputados, em Brasília, período em que conheceu Jair Bolsonaro, então deputado federal. Os dois estão juntos desde 2007.
Trajetória política
Como primeira-dama, entre 2019 e 2022, Michelle associou sua atuação a iniciativas voltadas a pessoas com deficiência e doenças raras. Em 2023, depois da saída do governo, assumiu a presidência nacional do PL Mulher, ampliando a agenda pelo país e a aproximação com eleitoras e evangélicos.
A candidatura ao Senado era planejada desde antes. Em 2024, Jair Bolsonaro já dizia que ela pretendia concorrer pelo DF. Em dezembro de 2025, ele indicou o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, para a disputa presidencial, e Michelle manteve o projeto original.
A confirmação da candidatura ocorreu em 2 de agosto, durante a convenção do PL-DF. Michelle não compareceu por causa de uma crise de enxaqueca e foi representada pelo irmão, Diego Torres. O registro na Justiça Eleitoral foi feito em 15 de agosto, último dia do prazo. Torres ficou como primeiro suplente, Cristian Viana (Podemos) como segundo, e o patrimônio declarado foi de R$ 4,4 milhões.
A chapa fez parte da coligação Propósito e Ação, que reuniu PL, Republicanos, MDB, Podemos, Mobiliza e Democrata. Também participaram as federações do PRD com o Solidariedade e do União Brasil com o PP.
Campanha e mandato
A rotina ao lado de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, levou Michelle a reduzir viagens, concentrar compromissos à tarde e à noite e priorizar as redes sociais. Damares Alves (Republicanos) e Celina Leão (PP) participaram de eventos e mobilizações em seu lugar.
A candidata apresentou suas propostas como continuidade do trabalho realizado no governo do marido. Entre as prioridades estavam pessoas com deficiência, mães atípicas e famílias vulneráveis. Em setembro, ela também se comprometeu a defender a comunidade autista no Senado. Na reta final, apoiou com Bia Kicis medidas para diagnóstico precoce de doenças raras, como a ampliação do teste do pezinho e o atendimento domiciliar infantil.
Outra bandeira foi a defesa dos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Em 30 de agosto, em Vicente Pires, Michelle afirmou que atuaria no Senado em favor deles e de Jair Bolsonaro. Ela defende anistia aos condenados e critica o que chama de ativismo judicial.
Michelle toma posse em fevereiro de 2027, para um mandato de oito anos. Com a eleição, as três cadeiras do Distrito Federal no Senado passam a ser ocupadas por mulheres: Michelle, Bia Kicis e Damares Alves, eleita em 2022 e com mandato até 2031.
A bancada feminina tem hoje 15 integrantes entre os 81 senadores. Neste ano, as mulheres representaram 22% das candidaturas ao Senado. A eleição renovou 54 das 81 cadeiras, e a direita tratou a disputa como prioridade para tentar formar maioria e eleger o presidente da Casa. A maioria absoluta exige 41 votos; para condenar um ministro, são necessários 54, equivalentes a dois terços do plenário.







