A brincadeira aparece, na obra de Pablo Neruda, como uma forma de manter presente a infância mesmo depois da chegada à vida adulta. A reflexão está em “Confesso que Vivi”, livro publicado postumamente em 1974 e editado por sua viúva, Matilde Urrutia.
Neruda escreveu: “a criança que não brinca não é criança, mas o homem que não brinca perdeu para sempre a criança dentro de si”. A frase aproxima o ato de brincar do contato com uma parte da vida que pode ser deixada de lado pelas responsabilidades adultas.
Tempo sem finalidade produtiva
A análise também questiona o espaço reservado ao ócio e às atividades sem utilidade definida. Nesse sentido, brincar pode significar dedicar tempo à bobagem, ao aprendizado e a ações que não seguem uma finalidade produtiva.
A ideia contrapõe esse tempo livre às obrigações da fase adulta. Para o escritor, a presença da criança é importante tanto para a própria criança quanto para o adulto, em uma reflexão marcada pela relação entre infância, amadurecimento e liberdade.
Trajetória
Pablo Neruda nasceu em 1904 e morreu em 1973. Reconhecido na literatura chilena, publicou mais de 40 livros e recebeu o Nobel de Literatura em 1971. É considerado um dos maiores escritores do século 20.
Além de escritor, atuou como diplomata e senador. Também foi militante do Partido Comunista e produziu uma poesia ligada à oposição às injustiças sociais de sua época. Ao longo da carreira, defendeu direitos trabalhistas e o fortalecimento das organizações sindicais.









