A Procuradoria-Geral da República defendeu nesta segunda-feira (14/9) a retirada do sigilo sobre a rede de pagamentos de Daniel Vorcaro e do Banco Master. A manifestação foi encaminhada ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, antes do julgamento previsto para terça-feira (15/9).
O pedido foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes e pode levar à abertura de uma investigação sobre a troca de mensagens entre ele e Vorcaro. A análise envolve 52 mensagens identificadas pela Polícia Federal, principalmente em novembro de 2025, período anterior à primeira prisão do banqueiro.
Dados entregues ao STF
Também nesta segunda-feira, a Polícia Federal enviou ao ministro Cristiano Zanin uma cópia integral dos dados de um celular de Vorcaro. O aparelho é um iPhone 17 Pro apreendido em 18 de novembro de 2025, quando o banqueiro foi preso pela primeira vez. Ao todo, oito telefones foram periciados no inquérito.
A entrega ocorreu pela manhã, após uma determinação de Zanin. O prazo estabelecido pela Corte terminava às 23h de domingo (13/9), mas o material foi encaminhado nesta segunda-feira.
Zanin havia exigido acesso irrestrito ao conteúdo antes da avaliação de um relatório sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. O ministro afirmou que não existe hierarquia entre os integrantes do STF. Gilmar Mendes já havia dado ordem semelhante à Polícia Federal.
Divergências entre ministros
André Mendonça enviou um ofício no domingo contrário à abertura e ao compartilhamento de todo o conteúdo extraído do celular. Para ele, a medida “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e colocaria “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”.
A PGR informou a Fachin que não tinha conhecimento do processo e que ele nem aparecia disponível para consulta no sistema do Supremo. Segundo a instituição, o sigilo deve ser retirado para permitir que os ministros examinem a totalidade dos fatos antes do julgamento.
O material da investigação também inclui informações sobre a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e outras autoridades. O relatório foi produzido por determinação de Mendonça. Na semana passada, Fachin convocou uma sessão plenária para discutir o documento.








