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Soninha, a repórter que perguntava sem medo aos poderosos
Foto: PhoTon/Getty Images
Brasil

Soninha, a repórter que perguntava sem medo aos poderosos

Sônia Carneiro morreu ontem à tarde, aos 74 anos, após uma carreira marcada por perguntas diretas a autoridades.

Sônia Carneiro, conhecida como Soninha, morreu ontem à tarde, aos 74 anos. Repórter da Rádio Jornal do Brasil, ela ficou marcada pela disposição de fazer perguntas diretas a autoridades, mesmo em períodos de ditadura e de restrições à imprensa.

Soninha começou a atuar no Palácio do Planalto, no Congresso e em outros locais de Brasília em 1971. Costumava carregar um gravador pesado, o que levava algumas pessoas a fugir quando a viam. Para ela, perguntar aos poderosos era uma das funções do jornalismo — sem raiva, mas sem medo.

Perguntas a generais e presidentes

Durante a ditadura militar, quando João Baptista Figueiredo era presidente, Soninha perguntou ao general-de-brigada Rubem Ludwig, chefe do Gabinete Militar da Presidência entre 1982–1985, se tropas da Vila Militar estavam descendo sobre o Rio de Janeiro. Ludwig negou a possibilidade de uma nova tentativa de golpe.

Em 1978, Figueiredo, já escolhido para suceder Ernesto Geisel, havia sido questionado sobre o contato e o “cheiro do povo”. A resposta — “O cheirinho dos cavalos é melhor (do que o cheiro do povo)” — virou manchete dos jornais.

Soninha também arrancou de Figueiredo uma resposta sobre a realização de prévias eleitorais dentro do Partido Democrático Social (PDS), disputa que influenciou o destino da eleição de 1985 e a continuidade do regime militar.

Em outra entrevista, transmitida ao vivo para todo o país, perguntou ao presidente Fernando Collor, ao notar que ele estava muito magro: “O senhor está com AIDS?”. Collor empalideceu e respondeu que não.

A trajetória da jornalista foi lembrada como exemplo de independência diante do poder. O período em que ela chegou a Brasília, no 18º ano da ditadura militar, ainda teria mais três anos de duração. O jornalismo está de luto.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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