O transplante capilar pode recuperar áreas com falhas, mas não impede que os fios naturais continuem passando por afinamento e queda. Por isso, o resultado da cirurgia pode mudar com o tempo e, em alguns casos, levar a uma nova intervenção.
Durante o procedimento, unidades foliculares são retiradas de uma região doadora, geralmente na parte de trás ou nas laterais da cabeça, e colocadas em áreas com menor densidade. Os fios implantados costumam resistir à ação da di-hidrotestosterona (DHT), hormônio associado à calvície de padrão androgenético, e tendem a permanecer por muitos anos.
Essa resistência, porém, não se aplica automaticamente aos fios que já estavam no local tratado. A alopecia androgenética, forma mais frequente de calvície, não pode ser curada, mas sua evolução pode ser controlada com tratamento, segundo o cirurgião Thiago Bianco Leal. O acompanhamento médico continua necessário após a cirurgia para monitorar a perda dos fios nativos.
Quando uma nova cirurgia pode ser indicada
Uma nova sessão pode estar prevista desde o início, principalmente quando a calvície é extensa e a área doadora não tem folículos suficientes para cobrir todas as regiões em um único procedimento. Nesse planejamento, o médico pode concentrar o trabalho na linha frontal e na parte central, deixando outras áreas para uma etapa posterior.
A segunda intervenção também pode ser considerada quando o paciente deseja mais densidade, mudanças no desenho da linha frontal ou cobertura de pontos que permaneceram menos preenchidos. A necessidade ainda pode surgir se os fios naturais continuarem a diminuir enquanto os transplantados permanecem.
A quantidade disponível para retirada é limitada. O volume que pode ser extraído varia conforme a espessura dos fios, a textura do cabelo e a densidade de folículos por centímetro quadrado. A cada cirurgia, essa reserva diminui. Uma retirada excessiva pode deixar a região doadora com falhas e aparência mais transparente.
Quando as áreas posterior e lateral não oferecem fios suficientes, o cirurgião pode analisar o uso de folículos de outras partes do corpo, como a barba e o peito. A possibilidade depende das características de cada paciente.
Carlos Eduardo Leão, cirurgião plástico e especialista em transplante capilar, afirma que “a área doadora é uma área finita”. Ele é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).








