O lifting facial, ou ritidoplastia, exige uma decisão baseada em avaliação clínica, estrutura hospitalar e segurança — não apenas na escolha de uma técnica divulgada nas redes sociais. Embora apareça ao lado de preenchimentos, toxina botulínica e bioestimuladores, o procedimento é uma cirurgia, com incisões, anestesia, manipulação de tecidos e recuperação pós-operatória.
O que a cirurgia trata
O envelhecimento pode provocar alterações na pele, perda e redistribuição de volume, frouxidão dos tecidos profundos e mudanças no contorno da mandíbula e do pescoço. Procedimentos minimamente invasivos podem atuar sobre parte dessas mudanças, mas não substituem a cirurgia quando há flacidez significativa e indicação de reposicionamento dos tecidos.
As técnicas de lifting podem trabalhar planos profundos da face, como o sistema músculo-aponeurótico superficial, conhecido como SMAS, e estruturas do pescoço, quando necessário. O objetivo é reposicionar os tecidos sem concentrar na pele toda a tensão necessária para o resultado. A extensão do descolamento e a forma de tratar os planos profundos variam conforme o caso.
Riscos e preparo
A evolução técnica pode buscar resultados mais naturais, mas não elimina as complicações. Entre os riscos estão hematoma, infecção, alterações de sensibilidade, problemas de cicatrização, sofrimento ou necrose da pele, lesões nervosas, assimetrias e necessidade de nova intervenção. Também existem riscos relacionados à anestesia e, embora menos frequentes, trombose e complicações cardiopulmonares.
A avaliação pré-operatória deve considerar idade, condições clínicas, pressão arterial, tabagismo, medicamentos em uso, cirurgias anteriores e outros fatores que possam alterar o risco. O planejamento precisa definir a técnica adequada e verificar se a expectativa do paciente é compatível com o que a cirurgia pode oferecer.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orienta que o procedimento seja feito em centro cirúrgico autorizado pela Vigilância Sanitária, com equipamentos e equipe treinada para lidar com eventuais intercorrências.
Como avaliar a decisão
Expressões como deep plane, SMAS e mini-lifting ganharam espaço nas redes sociais. Conhecer os nomes pode ajudar na conversa, mas escolher uma cirurgia apenas pela técnica em alta pode inverter a ordem da decisão. A indicação deve partir da análise do rosto, do grau de flacidez, das estruturas envolvidas, das condições clínicas e dos objetivos do paciente.
Também é importante verificar a formação do profissional, o local da cirurgia, quem será responsável pela anestesia, como ocorrerá o acompanhamento após o procedimento e qual estrutura estará disponível em caso de emergência. A naturalidade do resultado é uma preocupação legítima, mas não deve ser o único critério para escolher onde e com quem operar.








