A assimetria entre as mamas é comum e pode envolver diferenças de volume, formato, quantidade de pele, posição do sulco abaixo da mama ou altura dos mamilos e das aréolas. Na maioria das mulheres, essas características fazem parte da anatomia normal. Quando são mais acentuadas, porém, podem dificultar o uso de roupas e sutiãs e afetar a autoestima.
A cirurgia plástica pode reduzir essas diferenças, mas o objetivo é melhorar o equilíbrio entre as mamas, e não produzir duas estruturas matematicamente iguais. O primeiro passo é identificar exatamente o que causa a assimetria e avaliar o conjunto do corpo.
Técnicas dependem de cada caso
Quando uma mama é menor, podem ser usados implantes com volumes ou características diferentes. A transferência de gordura da própria paciente também pode ajudar em ajustes de volume e contorno, isoladamente ou combinada com outras técnicas.
Se as mamas são grandes e uma delas tem volume maior, a mamoplastia redutora pode retirar quantidades diferentes de tecido de cada lado. Em casos de flacidez ou de diferença na posição das mamas, a mastopexia pode remodelar a região e reposicionar o complexo aréolo-mamilar.
Também é possível corrigir apenas um lado, quando a paciente considera a outra mama adequada. Em outras situações, operar os dois lados permite maior controle sobre formato, posição e volume. A decisão depende da anatomia e das expectativas da paciente.
Alterações do desenvolvimento, como a mama tuberosa, podem deixar a base mais estreita, modificar a aréola e alterar a distribuição do tecido. Mais raramente, a assimetria pode estar ligada à síndrome de Poland, associada ao desenvolvimento incompleto de estruturas da parede torácica.
Resultado pode mudar com o tempo
A cirurgia não interrompe o envelhecimento das mamas. Variações de peso, gravidez, amamentação, ação hormonal e características individuais dos tecidos podem modificar o resultado ao longo dos anos. Lados submetidos a procedimentos diferentes também podem reagir de maneiras distintas.
Um estudo publicado em 2025 sobre os resultados de longo prazo da correção de assimetria mamária reforça a dificuldade de alcançar e manter equivalência absoluta. O título do trabalho, “Sisters But Not Twins”, resume a ideia de que as mamas podem ficar mais equilibradas, mas não se tornam cópias exatas.
Para o cirurgião plástico Fabio A. Naccache, o planejamento deve considerar cada mama de acordo com sua anatomia e, depois, avaliar como as duas funcionam em conjunto. Implantes, redução, mastopexia e enxertia de gordura podem ser combinados para melhorar volume, contorno e naturalidade.
O resultado esperado é aquele em que as diferenças deixam de chamar atenção e o conjunto parece naturalmente equilibrado, sem a promessa de uma perfeição que o corpo não tinha antes da cirurgia.








