O resultado do primeiro turno das eleições abriu espaço para uma nova valorização do real, na avaliação do J.P Morgan e do Goldman Sachs. Os bancos consideram que a liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), junto do avanço de candidatos de direita no Congresso, reduziu parte da incerteza sobre o câmbio.
Com 99,8% dos votos apurados, Flávio terminou essa etapa com 47,1% dos votos válidos, contra 45,1% de Lula. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Projeções para o dólar
O J.P Morgan avalia que o dólar pode testar R$ 5 e chegar a R$ 4,80 nas próximas semanas. O banco também considera que, caso a vantagem de Flávio se consolide, o mercado poderá antecipar uma eventual transição de governo. Os mercados de previsão indicavam mais de 85% de probabilidade de vitória do candidato do PL, segundo a análise da instituição.
Nesse cenário, o câmbio poderia convergir para aproximadamente R$ 4,95 antes de avançar para níveis próximos de R$ 4,80. O banco montou uma posição em opções para capturar uma queda da moeda até esse patamar, usando uma estrutura chamada ratio put spread de três meses.
O Goldman Sachs trabalha com uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80 em um cenário favorável aos mercados e marcado por maior disciplina fiscal. Na abertura dos mercados depois do primeiro turno, contratos futuros indicavam queda de aproximadamente 4% no dólar, segundo a área de FX Research do banco.
A instituição não descarta uma valorização maior do real. A moeda brasileira poderia ficar abaixo de R$ 4,50 se medidas de consolidação fiscal justificarem um prêmio fiscal positivo e o cenário externo também ajudar.
Congresso e outros mercados
A análise do J.P Morgan também considera a composição do Congresso. O PL tornou-se a maior bancada do Senado, com 30 das 81 cadeiras, e terá mais de 110 deputados na Câmara. Para o banco, uma menor fragmentação e a maior presença de partidos de direita podem facilitar coalizões e a aprovação de medidas de consolidação fiscal.
O resultado também pode afetar a Bolsa brasileira. O J.P Morgan estima que o múltiplo price-to-earnings (P/E) de 12 meses poderia subir de 8,9 vezes para 10,9 vezes, com potencial de alta de cerca de 22% para o MSCI Brazil. Em um cenário chamado Structural Fix, com reformas estruturais, disciplina fiscal e apoio externo, o múltiplo chegaria a 13,3 vezes, e a valorização estimada seria de 51%.
No mercado de juros, o banco projeta um movimento de bull flattening, com queda mais acentuada das taxas de longo prazo. A recomendação é receber juros no DI Jan-37, com meta de 13%, ante fechamento anterior de 14,16%. No crédito, a instituição elevou para Overweight a recomendação para títulos corporativos brasileiros de grau de investimento.
As projeções ainda dependem da evolução da disputa até 25 de outubro, incluindo novas pesquisas, debates, alianças e propostas econômicas. A continuidade da valorização do real dependerá também da interpretação do mercado sobre a campanha e os sinais de política econômica do próximo governo.








