A carteira de criptomoedas atribuída a Glaidson Acácio dos Santos está sob custódia da Polícia Federal, mas o valor armazenado não foi informado. Em depoimento à Justiça, ele afirmou ter recursos suficientes para pagar os credores e disse que não revelaria a quantia por temer pela própria segurança.
Após a prisão de Glaidson, investigadores identificaram o saque de cerca de 4,5 mil bitcoins de contas na região de Kissimmee, na Flórida. Na época, os ativos valiam aproximadamente R$ 1 bilhão.
O caso envolve a GAS Consultoria, empresa ligada a Glaidson e à esposa dele, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa. De acordo com as autoridades, o negócio teria movimentado mais de R$ 38 bilhões e deixado cerca de 77 mil vítimas. A empresa oferecia rendimentos acima dos praticados no mercado e atraiu investidores, incluindo artistas, jogadores de futebol e pessoas que fizeram empréstimos para aplicar dinheiro.
Na Justiça, 77 mil credores cobram quase R$ 3 bilhões em ressarcimento. O Ministério Público Federal acusa Glaidson e Mirelis de participarem da liderança de uma organização criminosa que teria mantido uma pirâmide financeira apresentada como investimento em criptomoedas.
Depoimentos do casal
Glaidson declarou que tinha influência suficiente para afetar cotações por concentrar ativos. “Como ‘baleia’, eu consigo manipular outras criptomoedas”, afirmou. Ele também relatou que poderia combinar operações com outros investidores para apostar na queda de um ativo e ampliar a baixa.
Mirelis negou ter administrado a carteira de clientes da GAS. Segundo ela, sua atuação era estudar o mercado e fazer operações com criptomoedas. “Meu trabalho sempre foi estudar criptomoedas, multiplicar o dinheiro em criptomoedas e fazer trading de criptomoedas”, disse.
Mirelis não foi presa com o marido em 2021. Depois da operação policial, deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos. Três anos depois, foi detida pela imigração norte-americana e deportada para responder à Justiça brasileira. Ela classificou as acusações como semelhantes a uma obra de ficção científica, enquanto o MPF afirma que dividia com Glaidson a liderança do esquema.







