O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), levando a Selic para 13,75%. A decisão foi unânime e representa o quinto corte consecutivo desde março.
O Banco Central afirmou que a redução é compatível com a convergência da inflação para o redor da meta. O colegiado também declarou que a política monetária deve contribuir para suavizar as oscilações da atividade econômica e estimular o pleno emprego, sem deixar de priorizar a estabilidade de preços.
A autoridade monetária não garantiu a continuidade dos cortes. O ritmo da política dependerá da evolução do cenário e de novas informações. O Copom classificou como significativo o aumento da incerteza e apontou riscos elevados em torno das projeções atuais.
Riscos para a inflação
O balanço de riscos foi mantido com maior peso para fatores que podem pressionar os preços. Entre eles estão a desancoragem das expectativas de inflação por período mais longo, a resistência da inflação de serviços e os efeitos de políticas econômicas externas e internas.
O Banco Central também citou a possibilidade de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada e de estímulos ao consumo que levem a atividade econômica a crescer acima do potencial. Os choques de oferta associados à guerra do Oriente Médio e ao El Niño aparecem entre os fatores considerados nas previsões de inflação.
No sentido contrário, uma desaceleração mais forte da atividade doméstica, um enfraquecimento global provocado pelos efeitos da guerra e pela maior incerteza, além da queda nos preços das commodities, poderiam contribuir para a redução da inflação.
Sinais de desaceleração
Estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam perda de força da economia. No segundo trimestre de 2026, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,5% em relação aos três meses anteriores, abaixo da alta de 1,1% registrada entre janeiro e março.
O consumo das famílias recuou 0,4% no período. No mercado de trabalho, dados do Ministério do Trabalho apontaram enfraquecimento nas contratações formais, com julho registrando o pior resultado para o mês desde a pandemia.
A inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional chegou a 4,9% em julho, novo recorde da série histórica do Banco Central. Enquanto isso, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou deflação de 0,32% em agosto, depois de alta de 0,07% no mês anterior.
Analistas consultados no Boletim Focus projetam que o corte desta reunião será o último do ano. As previsões indicam retomada da flexibilização no ano que vem, com a Selic encerrando 2027 em 12%.









