O número de brasileiros de 15 a 29 anos com alguma operação ativa ou limite de crédito disponível passou de 13,7 milhões em 2016 para 27,6 milhões em 2024. O crescimento foi de 101%, segundo o Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central.
A expansão foi mais forte entre os jovens de menor renda. Em 2024, 70% dos que tinham acesso a crédito recebiam até dois salários mínimos. Entre esse grupo, 17,4% estavam inadimplentes. A taxa foi de 13,8% entre os jovens que recebiam de dois a cinco salários mínimos e de 10% entre aqueles com renda superior a cinco salários.
O Banco Central considera que uma pessoa tem acesso ao crédito quando possui uma operação ativa ou algum limite concedido por uma instituição financeira, incluindo o cartão. O indicador, portanto, mostra a disponibilidade de crédito e não necessariamente o endividamento.
A idade média do primeiro relacionamento com uma instituição financeira também caiu. Até 2020, ficava em torno de 35 anos. Em 2024, passou para 20 anos. Mais de 30 milhões de brasileiros começaram a usar produtos de crédito pela primeira vez nos quatro anos anteriores ao levantamento, com destaque para os jovens.
Em 2024, quase 130 milhões de pessoas tinham algum tipo de exposição ao crédito no país. O número correspondia a 74% dos brasileiros com relacionamento no sistema financeiro. Em quatro anos, 32 milhões de pessoas foram incorporadas a esse grupo.
Cartão é principal modalidade entre jovens
O cartão de crédito foi a modalidade mais usada por pessoas de 15 a 29 anos. Em 2024, 17 milhões utilizaram cartão à vista, enquanto 13 milhões recorreram ao rotativo ou ao parcelamento da fatura. O empréstimo pessoal chegou a 11 milhões de jovens.
Nos últimos oito anos, o número de jovens que usaram cartão e o de usuários de empréstimo pessoal mais que dobrou, com aceleração principalmente a partir de 2021.
O acesso cresceu em todas as faixas etárias, mas em ritmo maior entre os mais novos. A alta foi de 63% entre adultos de 30 a 59 anos e de 87% entre pessoas com mais de 60 anos.
O relatório relaciona a inadimplência maior dos jovens à construção recente do histórico financeiro e à menor experiência com produtos de crédito. Para o Banco Central, a ampliação do acesso reforça a importância da educação financeira e do uso responsável desses produtos.








