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Só 7,7% das maiores empresas brasileiras têm cultura de inovação dominante
Economia

Só 7,7% das maiores empresas brasileiras têm cultura de inovação dominante

Pesquisa da Santo Caos aponta distância entre os valores divulgados pelas empresas e as práticas adotadas no dia a dia.

A inovação aparece entre os valores institucionais de 56% das 500 maiores empresas brasileiras, mas apenas 7,7% delas têm uma cultura inovativa dominante. Os dados são do DNA Cultural Brasileiro 2026, levantamento da consultoria Santo Caos baseado na análise de 2.515 declarações de valores corporativos.

A pesquisa usou o modelo OCAI para identificar os perfis culturais das companhias. O estudo, que terá novas edições anuais, aponta uma diferença entre o que as empresas afirmam valorizar e as condições criadas para transformar esses princípios em decisões, investimentos e rotinas de trabalho.

Distância entre discurso e prática

Para Jean Soldatelli, sócio-fundador da Santo Caos, declarar inovação não é suficiente quando a empresa pune erros, concentra decisões ou não reserva recursos para experimentação. “O valor de inovação no discurso, sozinho, não garante que a empresa seja inovadora”, afirma.

A consultoria chama esse descompasso de incoerência do sistema cultural. Além dos valores escritos, a cultura envolve a distribuição de recursos, a forma de avaliar e incentivar funcionários, a estrutura organizacional e a dinâmica de trabalho.

Uma companhia pode defender a inovação e, ao mesmo tempo, não ter uma área dedicada ao tema, orçamento para projetos ou competências relacionadas à inovação nas funções dos empregados. Para a Santo Caos, essas contradições geram um custo que não costuma aparecer diretamente no balanço.

A presença do tema varia conforme a região de origem das empresas. No Nordeste, inovação é citada por 66% das companhias, ante 65% no Centro-Oeste. O Sudeste, que concentra dois terços da amostra, registra 56%. O índice é de 54% no Sul e de 45% no Norte.

Pessoas, Ética e Inovação formam os três principais grupos entre os valores declarados pelas maiores empresas brasileiras. Juntos, eles correspondem a 54% dos 2.515 valores analisados, e 88% das companhias pesquisadas têm pelo menos um desses temas em sua lista.

A consultoria relaciona a liderança de Pessoas a uma cultura brasileira descrita, pelo modelo OCAI, como mais informal, acolhedora, humanizada e relacional. A força da Ética é associada ao debate sobre casos de corrupção envolvendo empresas. Já a presença da Inovação é relacionada à pressão para demonstrar capacidade de acompanhar mudanças tecnológicas e de mercado.

Valores repetidos e diferenças entre empresas

O levantamento identificou que 64% das maiores empresas brasileiras têm ao menos uma “empresa-gêmea cultural”, conceito usado para companhias que apresentam exatamente o mesmo conjunto de valores declarados. Em um dos casos, dez empresas compartilham o trio Ética, Pessoas e Inovação. Cinco são do agronegócio; as demais atuam em varejo, serviços financeiros, indústria farmacêutica, petróleo e gás e tecnologia da informação.

Para a Santo Caos, a repetição pode indicar que determinados valores se tornaram um padrão esperado para grandes empresas. Soldatelli afirma que as declarações também podem ser influenciadas pelas expectativas do mercado e da sociedade.

Entre as estatais, 97% declaram Ética e 72% incluem Inovação. Nas cooperativas, 96% destacam Pessoas. A composição societária também aparece associada aos valores escolhidos: empresas listadas em bolsa podem enfatizar resultados, enquanto cooperativas tendem a destacar características ligadas ao próprio modelo de negócio. Nas empresas familiares, ganha espaço o chamado senso de dono.

A tradição foi o valor menos presente entre as categorias estudadas: aparece em apenas 4,4% das companhias analisadas. A expectativa da consultoria era encontrar mais referências à história das empresas, à origem dos fundadores e à tradição familiar.

A inclusão aparece em cerca de uma em cada quatro das maiores empresas brasileiras. Para Soldatelli, a presença do tema reflete mudanças no debate público, mas o efeito pode ser limitado quando a declaração não é acompanhada por práticas concretas.

A Santo Caos pretende transformar o levantamento em uma série histórica para acompanhar quais valores ganham ou perdem espaço. As próximas edições deverão mostrar se as mudanças nas declarações correspondem a transformações na gestão ou apenas a respostas às pressões externas.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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