O dólar deve chegar ao fim de 2026 sob influência de três fatores principais: a eleição presidencial brasileira, a trajetória dos juros nos Estados Unidos e o comportamento do petróleo. O mercado projeta uma cotação próxima da atual, mas economistas avaliam que a volatilidade pode aumentar conforme o pleito se aproxima.
O último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central no dia 8 de setembro, apontou mediana de R$ 5,20 para o dólar no fim de 2026 e de R$ 5,30 para 2027. A previsão, porém, não indica necessariamente pouca oscilação até dezembro.
Eleição amplia incertezas
O diferencial de juros ainda favorece o real, ao oferecer retornos maiores em títulos de renda fixa no Brasil do que nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a proximidade da eleição aumenta as dúvidas sobre a política fiscal a partir do próximo ano.
Nas últimas semanas, pesquisas que mostraram uma disputa mais competitiva pela Presidência ajudaram a sustentar o chamado trade eleitoral, com entrada de recursos estrangeiros e valorização da moeda brasileira. No dia 2 de setembro, o dólar fechou a R$ 5,10, enquanto o Ibovespa subiu mais de 3%, após um levantamento indicar empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirmou que o cenário doméstico é misto. Para ele, o diferencial de juros sustenta o real, mas a questão fiscal pode voltar a pesar no câmbio. “Quem quer que ganhe pode sinalizar um compromisso maior ou menor com o equilíbrio fiscal”, disse.
Emerson Jr., head de Offshore da Convexa Investimentos, também considera a eleição um fator importante, mas avalia que ainda é cedo para projetar o dólar no fim do ano. Depois do resultado, os investidores devem observar as medidas concretas e o compromisso da nova gestão com as contas públicas.
André Valério, economista sênior do Inter, considera que o câmbio está próximo de um ponto de equilíbrio. O banco trabalha com dólar a R$ 5,15 no fim de 2026. Para ele, um ajuste fiscal mais crível para 2027 em diante poderia favorecer uma valorização maior do real.
Fed pode reduzir vantagem dos juros brasileiros
A próxima reunião do Federal Reserve está marcada para os dias 15 e 16 de setembro, com a decisão divulgada no segundo dia. O CPI dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto, e a inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,4%, aumentando a atenção sobre os próximos passos dos juros norte-americanos.
Se o Banco Central continuar reduzindo a Selic enquanto o Fed mantiver uma postura mais dura, o diferencial entre as taxas pode diminuir. Isso reduziria uma das principais vantagens dos ativos brasileiros e tornaria os investimentos nos Estados Unidos mais atrativos.
Fernando Gonçalves, superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú Unibanco, afirmou que o mercado considera certo um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima semana. O Itaú trabalha com a possibilidade de manutenção desse patamar até o fim do ano, mas uma nova redução dependeria do câmbio e das expectativas de inflação.
Na sexta-feira (11), o dólar fechou em alta de 0,47%, a R$ 5,1252. Gonçalves projeta a moeda a R$ 5,30 no fim do ano, considerando a possível redução do diferencial de juros e as discussões fiscais após a eleição.
Petróleo adiciona pressão ao cenário
O petróleo também passou a influenciar as perspectivas para o câmbio. O Brent chegou a US$ 101,21 na quarta-feira (9), acumulando alta de 25% desde o início de agosto. Na sexta-feira (11), recuou, mas encerrou a semana com avanço de cerca de 9%, ainda acima dos US$ 100.
Como o Brasil é um grande exportador da commodity, preços mais altos podem aumentar a entrada de dólares no país e favorecer o real. Por outro lado, o petróleo mais caro eleva os riscos de inflação e pode dificultar as decisões dos bancos centrais.
Para William Castro Alves, o câmbio dependerá da combinação entre o resultado eleitoral, a composição do próximo governo, a política fiscal e o ambiente internacional. As projeções atuais não indicam uma disparada da moeda, mas os analistas esperam oscilações maiores até o fim de 2026.







