LUSACA, ZÂMBIA — 198 empresas brasileiras começaram a exportar para algum país africano em 2025, segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A agência identificou ainda 784 oportunidades comerciais nos cinco mercados visitados em uma missão empresarial realizada em agosto: Angola, África do Sul, Zâmbia, Moçambique e Etiópia.
Os dados abrangem apenas empresas atendidas pela ApexBrasil. Ao todo, 1.149 companhias apoiadas pela agência exportaram para a África em 2025, movimentando US$ 8,58 bilhões. No conjunto geral do comércio exterior, 3.588 empresas brasileiras venderam ao continente no mesmo ano, com US$ 15,46 bilhões. As bases têm abrangências diferentes, porque a ApexBrasil considera somente empresas atendidas pela agência.
Alimentos e máquinas lideram novas entradas
O grupo com maior número de novas exportadoras foi o de produtos alimentícios e animais vivos, com 44 empresas. Depois aparecem obras diversas, com 41, máquinas e equipamentos de transporte, com 37, e artigos manufaturados classificados, com 30.
Angola foi o principal mercado de entrada para empresas de alimentos e animais vivos: 115 das 204 companhias do segmento exportaram para o país, o equivalente a 56,4%. Nos demais grupos, a África do Sul concentrou a maior parte das primeiras conexões. Foram 70 companhias de máquinas e equipamentos de transporte, ou 60,9%; 72 empresas de obras diversas, ou 60%; e 50 companhias de artigos manufaturados classificados, ou 62,5%.
A ApexBrasil abriu uma unidade em Adis Abeba, na Etiópia, sede da União Africana, durante a missão de agosto. A expectativa da agência é que novas empresas avancem depois de rodadas comerciais e missões no continente.
A indústria do plástico, que exportou US$ 7,7 bilhões em 2025 considerando transformados plásticos e resinas, avalia a África como uma frente de expansão. Na saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) busca vender medicamentos e diagnósticos e desenvolver parcerias para transferência de tecnologia e produção local.
Cooperativas também participam do movimento. A Unicafes Brasil apresentou iniciativas para preparar cooperativas para exportar farinha de mandioca, derivados de milho, café, mel e frutas. “O mercado africano é um mercado novo, é uma região com uma população muito grande, onde tem grande potencial para os nossos produtos”, afirmou Ícaro René, diretor de comercialização da entidade.
Empresas buscam parcerias e novos mercados
A gaúcha Arauterm, fabricante de caldeiras e aquecedores industriais, participou da missão em Moçambique após receber consultas comerciais de empresas africanas. A exportação representa 15% do faturamento da companhia, que procura oportunidades em alimentos, hospitais e indústrias que utilizam sistemas de geração de vapor.
Embraer, Seara, Vibra Foods e WEG já exportam para a África e avaliam ampliar os negócios. A Embraer vê oportunidades no avanço da aviação regional, enquanto a baixa conectividade aérea é apontada como espaço para crescimento.
A expansão também inclui tecnologia para o agronegócio. Moçambique busca reduzir a dependência de alimentos importados e elevar a produtividade no campo. A Embrapa participa com capacitação e adaptação de tecnologias, além de iniciativas ligadas à exportação de máquinas agrícolas, insumos e modelos de produção.
O Brasil disputa espaço com países que já mantêm relações comerciais e investimentos de longo prazo no continente, especialmente a China e a União Europeia. Índia e Estados Unidos também são citados como concorrentes. Cristiano Duarte, coordenador-geral de Assuntos Macroeconômicos da Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, afirmou que o país precisa combinar exportações com investimentos, serviços e parcerias de longo prazo.








