A percepção sobre o ambiente de negócios brasileiro piorou, mas as empresas continuam priorizando investimentos em pessoas, expansão e tecnologia. É o que mostra a pesquisa Perspectiva dos Conselheiros e Executivos, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
A parcela de entrevistados que considera o ambiente de negócios ruim ou muito ruim passou de 27,4% em 2024 para 35,3% em 2026. Pela primeira vez desde o início do levantamento, a avaliação negativa ficou acima da positiva.
A carga tributária foi apontada como a principal ameaça por 45,8% dos conselheiros e executivos, repetindo a liderança pelo segundo ano seguido. Também aparecem entre as preocupações a insegurança jurídica e as tensões geopolíticas.
Mesmo nesse cenário, 59% dos participantes mantêm uma visão favorável sobre o desempenho de suas próprias empresas. O índice, porém, recuou 10,9 pontos percentuais em relação a 2025.
Investimentos e governança
O desenvolvimento de capital humano foi citado por 45,3% dos entrevistados como foco de investimento. A área ficou atrás da expansão de mercados, com 49%, e da transformação digital, com 48,4%. Os três temas também estavam entre as prioridades em 2025.
Na governança corporativa, as questões relacionadas à diretoria — como avaliação, sucessão e remuneração — aparecem no topo das prioridades de aprimoramento para 2026, com 42,9% das respostas. Em seguida estão os procedimentos e a estrutura do conselho, com 41,1%, e o desenvolvimento de competências dos conselheiros, com 31,9%.
O documento elaborado pela equipe de pesquisa e conteúdo do IBGC aponta ainda uma mudança no principal obstáculo ao avanço da governança. Pela primeira vez na série histórica, a barreira deixou de ser a relação entre custo e benefício e passou a ser a percepção de que a governança já alcançou um nível adequado entre os principais grupos de influência das empresas.
A pesquisa ouviu 190 profissionais: 124 conselheiros e 66 executivos, de empresas de diferentes portes e setores.









