BRASÍLIA — Gritos pelo fim da escala de trabalho 6×1 marcaram o desfile de 7 de Setembro e recolocaram a pauta no centro da disputa política. A manifestação ocorreu durante a cerimônia acompanhada por Luiz Inácio Lula da Silva e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A pressão pública não deve levar Alcolumbre a antecipar a votação para antes do primeiro turno. O calendário já havia sido combinado com os senadores, e um parlamentar envolvido nas negociações afirmou que o adiamento também era de conhecimento de Lula.
A proposta, porém, pode ser analisada em um momento decisivo da eleição. Alcolumbre indicou que pretende votar o texto depois das eleições. No Senado, a possibilidade considerada é levar a Proposta de Emenda à Constituição ao plenário no intervalo entre o primeiro e o segundo turnos da disputa presidencial.
Tema para a campanha
Se Lula chegar ao segundo turno, a votação ocorreria em uma fase de busca por fatos políticos capazes de mobilizar seu eleitorado. O fim da escala 6×1 aparece como uma pauta de comunicação simples e tem apoio popular amplo, inclusive entre eleitores identificados com a direita, conforme pesquisa recente citada no debate sobre o tema.
A análise da PEC também pode pressionar a oposição. Caso a proposta seja aprovada, Lula poderá associar-se politicamente a uma das medidas trabalhistas mais populares discutidas pelo Congresso neste ano. Se adversários atuarem para impedir a aprovação, o governo poderá responsabilizá-los pela continuidade da escala.
Assim, os protestos ouvidos no desfile não devem alterar o calendário indicado por Alcolumbre. O efeito pode ser outro: colocar o fim da 6×1 entre os assuntos que o Senado levará de volta à campanha quando a disputa estiver mais acirrada.








