O Federal Reserve elevou a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual. A decisão foi unânime entre os integrantes do colegiado, contrariando a expectativa do mercado financeiro de que houvesse ao menos um voto contrário à alta.
Para a economista Andressa Durão, o principal fator de surpresa foi justamente a ausência de dissenso. Ela relacionou o resultado à divulgação do CPI, índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, na semana anterior. O indicador mostrou uma inflação ainda pressionada e veio com projeção acima do esperado.
Projeções indicam juros altos por mais tempo
As projeções apresentadas pelo Fed também ficaram acima das expectativas. O Dot Plot, gráfico que reúne as estimativas dos dirigentes para o caminho dos juros, apontou uma política monetária mais restritiva do que a esperada pelo mercado.
A maioria dos dirigentes ainda prevê pelo menos mais uma alta até o fim do ano. A expectativa do mercado é que esse movimento ocorra na reunião de dezembro. Para o próximo ano, o Fed não indicou cortes.
Segundo Durão, as projeções refletem uma economia forte, um mercado de trabalho resiliente e uma inflação elevada. “O mercado esperava que o Fed subisse o juro, mas não com projeções tão altas como vieram”, afirmou.
Também houve revisão para cima na estimativa para o juro de longo prazo. A projeção para 2029 passou a 3,6%, ante 3,2% na estimativa anterior.
Inflação segue acima da meta
A economista avaliou que o nível de juros projetado ainda não seria suficiente para levar a inflação à meta de 2%. As próprias estimativas do banco central apontam inflação de 2,5% no próximo ano, acima do objetivo.
Na avaliação de Durão, o duplo mandato do Fed, que considera a estabilidade de preços e o emprego, favorece uma estratégia gradual. “No final, o Fed vai aceitar uma inflação acima da meta desde que ela esteja desacelerando”, disse.








