O Ibovespa recuava 1,33% nesta segunda-feira, 14, aos 184 730 pontos. O movimento ocorria em meio à valorização do petróleo e à expectativa pelas decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O dólar avançava 0,77%, negociado a 5,16 reais. No exterior, o índice DXY subia 0,49% diante de uma cesta de moedas. O petróleo era negociado a 108,65 dólares, nível que aumenta as preocupações sobre os efeitos da energia mais cara na inflação e na atividade econômica global.
Para Gustavo Assis, CEO da Asset, a alta da moeda americana ante o real reflete tanto o cenário internacional quanto fatores domésticos. Ele afirmou que o petróleo nesse patamar reforça a busca pelo dólar como proteção, enquanto questões políticas e institucionais elevam o prêmio exigido pelos investidores para manter recursos no Brasil.
A alta do petróleo pode favorecer empresas produtoras e elevar as receitas de exportação do Brasil. Quando os preços sobem muito, porém, os efeitos sobre os mercados se tornam mais amplos. Custos maiores para empresas e consumidores podem pressionar a inflação e os rendimentos dos títulos americanos, reduzindo o interesse por ativos de países emergentes.
Petrobras e outras companhias ligadas à produção de petróleo tendem a receber apoio da valorização da commodity. Em contrapartida, empresas de consumo, transporte, construção, indústria e crédito podem ser afetadas pela combinação de custos elevados e juros futuros pressionados. Na sexta-feira, 11, o Ibovespa havia terminado o pregão em queda de 0,56%, aos 187.206 pontos.
Os investidores também acompanham a chamada Superquarta, quando o Federal Reserve (Fed) e o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgam suas decisões sobre juros. O mercado estimava em 86,5% a chance de aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos.
A Selic também está no centro das expectativas. Na avaliação de Assis, se o Fed elevar os juros em 0,25 ponto e o Copom reduzir a taxa brasileira na mesma proporção, a diferença entre os juros dos dois países cairá 0,50 ponto percentual. Essa mudança pode diminuir a atratividade relativa dos ativos brasileiros e reduzir o suporte dos juros elevados ao real. Para o dólar e o Ibovespa, o efeito dependerá da combinação das decisões e da alteração no retorno relativo desses ativos.








