A indústria automotiva brasileira precisa combinar inovação, produtividade, qualidade, custos competitivos e capacidade de execução para acompanhar a mudança no setor global. A avaliação é de Alessandro Alves, CEO da thyssenkrupp Springs & Stabilizers no Brasil.
O avanço chinês
Para Alves, o crescimento da China mostra que preço e qualidade continuam importantes, mas deixaram de ser suficientes para definir a competitividade. Velocidade de desenvolvimento, domínio tecnológico, escala produtiva, integração da cadeia e resposta rápida às demandas do consumidor passaram a ter peso maior.
Em 2025, a China produziu aproximadamente 35 milhões de veículos. Na avaliação do executivo, o resultado reflete um projeto construído ao longo de décadas, com planejamento de longo prazo, desenvolvimento tecnológico e integração das cadeias produtivas. As empresas chinesas também passaram a disputar segmentos de maior valor agregado, com veículos conectados, eficientes e desenvolvidos em ciclos mais curtos.
A transformação, segundo Alves, não depende de uma única tecnologia ou do lançamento de mais modelos. Ela exige decisões contínuas sobre investimentos, inovação, excelência operacional e formação de profissionais capazes de lidar com processos industriais complexos.
Automação, digitalização, inteligência artificial e manutenção preditiva já são apontadas como ferramentas para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios, antecipar falhas e dar mais previsibilidade às operações. A mudança alcança também os fornecedores, que enfrentam prazos menores de desenvolvimento e exigências técnicas maiores.
Desafios para o Brasil
O Brasil produz aproximadamente 2,64 milhões de veículos em 2025 e, de acordo com Alves, reúne uma base industrial estruturada, engenharia qualificada e uma ampla rede de fornecedores. O país é descrito por ele como o principal polo automotivo da América do Sul.
A chegada de novos fabricantes e investimentos internacionais pode ampliar a produção, incorporar tecnologias e integrar o Brasil a novas cadeias globais. Ao mesmo tempo, montadoras e fornecedores instalados localmente precisam adaptar processos com agilidade e entregar padrões internacionais de qualidade, custo e desempenho.
O interesse dos consumidores também mudou. Um estudo da Timelens, empresa da FutureBrand São Paulo, analisou mais de 110 milhões de menções online e identificou crescimento de 515% no interesse por marcas automotivas chinesas nos últimos cinco anos. As conversas sobre veículos eletrificados avançaram 112% no mesmo período.
Para o executivo, conectividade, conforto, eficiência energética, experiência de uso e incorporação rápida de tecnologias passaram a influenciar as escolhas do consumidor. A adoção de fábricas inteligentes, porém, depende também de profissionais preparados para interpretar dados, tomar decisões complexas e conduzir melhorias contínuas.
Alves afirma que veículos elétricos, híbridos e modelos com motores a combustão mais eficientes devem coexistir em diferentes mercados e aplicações. Independentemente da tecnologia, a indústria continuará pressionada a reduzir custos, aproveitar melhor os recursos e diminuir o impacto ambiental.
Na avaliação dele, o avanço chinês deve ser visto como um estímulo à transformação. O desafio para o Brasil é converter engenharia, fornecedores, capacidade produtiva e legado industrial em competitividade internacional.








