A inflação oficial caiu 0,32% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da expectativa de recuo de 0,29% e foi influenciado principalmente pela redução na conta de luz, além de alimentos e transportes mais baratos.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 3,11% desde o início do ano. Em 12 meses, a variação desacelerou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto. Em julho, o índice havia subido 0,07%; em agosto de 2025, registrara queda de 0,11%.
A habitação teve a maior contribuição para a deflação, com recuo de 1,87% e impacto de -0,29 ponto percentual no índice. A energia elétrica residencial caiu 7,63% e retirou 0,33 ponto percentual do IPCA. A redução foi associada ao Bônus de Itaipu, crédito temporário concedido nas contas de consumidores a partir de recursos excedentes ligados à comercialização da energia da hidrelétrica.
Como o desconto foi aplicado nas faturas de agosto, o efeito é temporário. A conta de luz tende a voltar ao patamar normal depois do fim do benefício, o que pode pressionar o índice nos próximos meses.
Os transportes recuaram 0,86%, com impacto negativo de 0,17 ponto percentual. As passagens aéreas ficaram 13,17% mais baratas, e os combustíveis caíram 0,91%. O etanol teve queda de 3,95%, o óleo diesel, de 0,80%, e a gasolina, de 0,59%. O gás veicular subiu 2,62%, enquanto o transporte por aplicativo recuou 4,57%.
Alimentos e demais grupos
Alimentação e bebidas registrou queda de 0,34%, o segundo recuo consecutivo, após baixa de 0,67% em julho. A alimentação dentro de casa caiu 0,61%. Batata-inglesa, cenoura, cebola e tomate tiveram reduções de 19,89%, 11,22%, 11,07% e 10,94%, respectivamente. O preço dos ovos caiu 4,15%, e o do café moído, 1,86%.
Na outra direção, o leite longa vida subiu 1,78%, as frutas avançaram 0,84% e as carnes, 0,61%. A alimentação fora de casa aumentou 0,36%, abaixo da alta de 0,55% registrada em julho.
Despesas pessoais tiveram a maior alta entre os grupos, de 1,30%, acrescentando 0,13 ponto percentual ao IPCA. O cigarro subiu 19,59% e foi o item com maior impacto positivo individual, de 0,11 ponto percentual.
Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro registraram queda: habitação (-1,87%), transportes (-0,86%), alimentação e bebidas (-0,34%) e comunicação (-0,09%). Também houve alta em artigos de residência (0,64%), educação (0,47%), saúde e cuidados pessoais (0,23%) e vestuário (0,12%).
A inflação acumulada em 12 meses ficou abaixo do limite superior do sistema de metas do Banco Central. A meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, e limite de 4,5%.








