A conta de luz foi o principal fator por trás da deflação registrada no país em agosto. A tarifa de energia elétrica residencial caiu 7,63% após a aplicação de um bônus de Itaipu, crédito temporário concedido aos consumidores com recursos excedentes da comercialização da energia produzida pela usina.
O efeito puxou o grupo Habitação para uma queda de 1,87% e reduziu o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 0,33 ponto percentual. Com isso, os preços recuaram 0,32% no mês, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 11.
Alívio temporário
Como o benefício foi incluído nas faturas de agosto, a tarifa tende a voltar ao patamar normal depois do fim do bônus. Por isso, o resultado pode perder força nos próximos meses e não indica, por si só, uma mudança duradoura na trajetória da inflação.
Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, afirmou que o dado é positivo, mas precisa ser analisado considerando o peso de fatores pontuais. Para ele, é necessário separar a deflação de um mês de uma possível alteração estrutural do cenário de preços.
Outros componentes também ajudaram o índice. As passagens aéreas ficaram 13,17% mais baratas, os combustíveis recuaram e o grupo Alimentação e bebidas teve contribuição negativa. Na direção oposta, as despesas pessoais registraram a maior variação positiva entre os grupos pesquisados.
Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, disse que, sem a energia elétrica, o IPCA teria subido em agosto. Na avaliação dele, a queda concentrada na tarifa não representa necessariamente uma redução disseminada do custo de vida, já que outros gastos das famílias não tiveram o mesmo comportamento.
Efeito sobre os juros
O IPCA acumulado em 12 meses passou para 4,22%, abaixo da projeção de 4,27% indicada pelo mercado. A combinação entre a deflação mensal e a desaceleração no acumulado reforçou a expectativa de corte da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
A previsão predominante era de uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14% ao ano. Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, avaliou que o resultado abre caminho para mais um corte. Ele também citou a projeção do relatório Focus para uma redução de 25 base points.
A evolução dos serviços, dos núcleos de inflação e das expectativas deverá ser observada para avaliar se a desaceleração dos preços pode continuar. O bônus de Itaipu, por ter efeito temporário, limita a interpretação do resultado de agosto para os meses seguintes.








