O legado solidário é uma forma de destinar parte do patrimônio a causas sociais por meio de um testamento. Para Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil, a iniciativa combina planejamento, generosidade e responsabilidade com as próximas gerações.
A proposta é transformar conquistas construídas ao longo da vida em apoio permanente a crianças e adolescentes. Recursos destinados dessa forma podem contribuir para ampliar o acesso à educação, à saúde, à proteção e a outros recursos essenciais ao desenvolvimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Ao defender esse tipo de planejamento, Gonzalez-Aleman afirma que o impacto vai além de uma contribuição financeira. O apoio a crianças e adolescentes pode fortalecer comunidades, reduzir desigualdades e criar oportunidades com efeitos que se multiplicam ao longo dos anos.
A história de Michiko Ishikawa Hashimoto
Um exemplo citado pelo representante do UNICEF é o de Michiko Ishikawa Hashimoto, integrante da comunidade Nikkei que incluiu o UNICEF Brasil em seu planejamento sucessório. Advogada, ela se formou em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Nascida no Japão, Michiko chegou sozinha ao Brasil em meio às dificuldades sociais provocadas pela guerra. Construiu uma trajetória marcada pela independência, discrição e dedicação ao bem comum. Gostava de pintar porcelanas, apreciava viagens e, embora não tivesse filhos, mantinha um carinho especial pelas crianças.
De acordo com sua sobrinha, Nagisa Adachi, esse afeto esteve presente durante toda a vida de Michiko. Ao destinar parte do patrimônio para apoiar crianças, ela transformou esse sentimento em uma ação permanente, voltada a meninos e meninas que não conheceria pessoalmente.
A inclusão de uma instituição como o UNICEF em um testamento pode ser feita com informação adequada e planejamento sucessório. A medida permite apoiar causas humanitárias de maneira organizada, mantendo vivos valores e escolhas construídos ao longo da vida.
O UNICEF afirma acompanhar diariamente mudanças na trajetória de crianças, adolescentes, famílias e comunidades apoiadas por ações de solidariedade. Nesse contexto, o legado solidário é apresentado como uma forma de fazer com que os valores de uma pessoa continuem influenciando outras vidas depois de sua partida.
No Dia do Legado Solidário, a reflexão proposta é sobre a marca que cada pessoa deseja deixar. Para Gonzalez-Aleman, ajudar crianças a sonhar, crescer e construir o próprio futuro também contribui para transformar a sociedade que ficará para as próximas gerações.









