SÃO PAULO — A inteligência artificial já é usada regularmente ou ocasionalmente na prática clínica por 66,1% dos médicos ouvidos em um levantamento da MV. O estudo reuniu 196 profissionais da área da saúde, dos quais 112 eram médicos, além de estudantes de medicina e outros trabalhadores do setor.
O principal uso apontado pelos médicos é o apoio a diagnósticos, citado por 42% do total de respondentes e por 56,6% daqueles que já usam IA ativamente. A aplicação inclui interpretação de exames, sugestões de CID e correlação de sintomas.
Na sequência aparecem a transcrição de consultas e a evolução clínica, com 17%, e a geração de receitas, relatórios e documentos assistenciais, com 10,7%. Chatbots para pacientes e ferramentas de triagem foram citados por menos de 4% dos participantes cada.
Confiança e barreiras
A confiança média na IA foi de 3,25 em uma escala de 1 a 5. Entre os médicos que usam a tecnologia regularmente, o índice chegou a 3,44. O levantamento também identificou relação entre o uso de ferramentas digitais e a adoção de IA: 81% dos médicos que sempre usam tecnologia digital no dia a dia já utilizam inteligência artificial. Entre os que nunca usam ferramentas digitais, a taxa foi de 23%.
O custo de implantação foi apontado como a principal barreira, com 30,4% das respostas. Depois aparecem a dificuldade de integração com sistemas existentes, com 22,3%; a falta de treinamento, com 19,6%; e a falta de evidências científicas, com 17%. Falta de apoio institucional e falta de tempo tiveram menos de 7% cada.
A percepção varia entre as redes. Em hospitais públicos, o custo foi citado por 31,6% dos médicos, contra 14,3% na rede privada. Entre os profissionais do setor privado, treinamento foi mencionado por 23,8%, contra 15,8% no público. A falta de evidência clínica apareceu em 19% das respostas da rede privada e em 10,5% das respostas da rede pública.
Disposição para pagar
A maior disposição para investir em soluções de IA foi registrada entre médicos com 6 a 20 anos de formados: 85,7% desse grupo pagaria por uma ferramenta, com valor médio estimado em R$ 111 por mês. O valor foi de R$ 65 entre os profissionais com até 5 anos de formados e de R$ 62 entre os que tinham mais de 21 anos de carreira.
No conjunto dos médicos, 31,3% não pagariam por uma solução de IA. Entre os que aceitariam pagar, mais da metade ficaria na faixa entre R$ 51 e R$ 100 mensais.
O levantamento foi realizado no segundo semestre de 2025 e início de 2026, antes da entrada em vigor da Resolução CFM nº 2.454/2026. A norma estabelece subordinação da IA ao julgamento clínico, supervisão humana obrigatória e avaliação de risco antes da adoção institucional.
A MV informou que a pesquisa não tem pretensão de representar estatisticamente a classe médica brasileira. A amostra cobriu 15 estados, com concentração em São Paulo, que reuniu 28,6% dos participantes, e no Sudeste. A empresa também atua na venda de soluções de gestão hospitalar com IA.








