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Fundos multimercados passam a exigir função clara na carteira, diz especialista
Economia

Fundos multimercados passam a exigir função clara na carteira, diz especialista

Gabriel Cintra afirma que a categoria reúne estratégias diferentes e perdeu espaço quando baseada apenas no nome do fundo.

Os fundos multimercados não devem ser avaliados como um grupo único, porque a categoria reúne estratégias e níveis de risco diferentes. A avaliação é de Gabriel Cintra, que considera necessário identificar a função de cada produto antes de incluí-lo em uma carteira.

Segundo Cintra, os multimercados são uma categoria regulatória, não uma estratégia de investimento. Nela estão fundos macro, de trading, balanceados, quantitativos, long & short e com exposição internacional. Por isso, o desempenho de um segmento não permite concluir que todos os produtos passam pela mesma situação.

Parte da indústria, especialmente nos segmentos macro, balanceados e de trading, enfrenta dificuldades de performance e perdeu atratividade. Outros fundos, porém, ainda podem cumprir funções dentro de uma carteira estruturada, desde que apresentem uma contribuição clara para os objetivos do investidor.

A ANBIMA registrou resgates líquidos de R$ 9,9 bilhões na categoria no primeiro semestre de 2026. Com as retiradas de julho, a saída acumulada no ano chegou a R$ 12,2 bilhões. Para Cintra, esses números não representam necessariamente uma rejeição definitiva aos multimercados, mas refletem uma cobrança maior por clareza na relação entre risco, retorno, liquidez, diversificação e tributação.

Custo, tributação e escolha do veículo

O custo de oportunidade ganhou peso com os juros reais elevados no Brasil. Nesse cenário, instrumentos mais conservadores podem oferecer remuneração atrativa e menor volatilidade, tornando mais difícil justificar uma alternativa que assume riscos maiores e pode passar longos períodos sem entregar o resultado esperado.

A redução das taxas pode melhorar o retorno líquido do cotista, mas não corrige uma estratégia que deixou de fazer sentido. A análise também deve considerar o come-cotas, mecanismo que antecipa o Imposto de Renda e reduz os recursos mantidos aplicados. Em investimentos de longo prazo, essa antecipação diminui o efeito dos juros compostos.

Quando a estratégia for adequada ao planejamento do investidor, a previdência pode ser uma alternativa de implementação. Esse veículo não está sujeito ao come-cotas, permitindo que o capital permaneça aplicado por mais tempo. A escolha, porém, deve respeitar os objetivos, o prazo e as características de cada pessoa.

Para Cintra, um multimercado deve apresentar ao menos uma função definida: oferecer descorrelação em relação às fontes de retorno já presentes na carteira, demonstrar capacidade de gerar resultados ajustados ao risco ou apresentar eficiência em estrutura, liquidez, custos e tributação.

Fundos quantitativos e algumas alternativas com exposição internacional podem ampliar a diversificação e trazer fontes distintas de retorno. Isso não significa que sejam adequados a todos os investidores. A análise deve partir do funcionamento e da contribuição de cada produto, e não apenas de sua classificação.

A conclusão de Cintra é que os multimercados não deixaram de existir, mas a recomendação baseada somente no nome da categoria perdeu espaço. Para permanecer na carteira, o fundo precisa mostrar quais riscos assume, de onde vem o retorno e como contribui para o planejamento de longo prazo.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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