FLORENÇA — A Panerai pretende reforçar sua identidade italiana e usar a própria herança como base para os próximos anos. A estratégia, segundo o CEO Emmanuel Perrin, é aproximar a marca de suas raízes, mantendo os produtos contemporâneos e relevantes para os clientes atuais.
Perrin está no cargo desde abril de 2025 e acumula mais de três décadas no grupo Richemont. Antes, passou por marcas como Cartier e Van Cleef & Arpels e, durante oito anos, foi responsável pela distribuição especializada das marcas de relojoaria do conglomerado.
A declaração foi dada durante as celebrações dos 100 anos da primeira butique da Panerai, em Florença. No evento, a marca apresentou dois relógios baseados em um modelo dos anos 1960.
Herança e identidade
Para Perrin, elementos tradicionais da Panerai estão ligados à função, e não apenas ao visual. Os números grandes facilitavam a leitura dos comandos, a luminescência ajudava a localizar o relógio no escuro e a proteção da coroa tinha finalidade prática. A parceria histórica com a Marinha Militar italiana também faz parte dessa trajetória. Foram 83 anos em que a relação permaneceu como segredo militar, segundo o executivo.
A marca existe há 166 anos, e Perrin afirma que o trabalho da atual gestão deve garantir sua evolução sustentável para as próximas gerações. Ele também defende que a comunicação sobre essa história precisa melhorar, especialmente para pessoas que ainda não conhecem a Panerai.
A empresa oferece relógios com 38, 40, 42, 44, 45 e 47 mm. O CEO diz que o tamanho de 38 mm é o menor da linha e que a Panerai não pretende seguir tendências. Para ele, adotar caixas de 32 ou 36 mm poderia fazer a marca perder sua identidade.
Clientes e mercado brasileiro
Perrin também destacou a comunidade de admiradores da marca, conhecida como paneristi. Segundo ele, o grupo ajuda a divulgar a Panerai e oferece retorno importante sobre produtos e experiências. A equipe, porém, precisa filtrar as opiniões e decidir quais sugestões fazem sentido para a marca.
Sobre o Brasil, o executivo classificou o mercado como dinâmico, em crescimento e complexo. A prioridade, disse, é cuidar dos clientes brasileiros dentro e fora do país. A marca também considera o tamanho e a dinâmica da economia brasileira uma oportunidade para ampliar sua presença.
Ao falar sobre Florença, Perrin afirmou que a cidade ajuda a explicar a identidade da Panerai. Ele espera que a marca possa celebrar, em espírito, os 200 anos da primeira butique.








