A Paramount está em negociações avançadas com procuradores-gerais estaduais para resolver o processo antitruste que bloqueia a aquisição da Warner Bros. Discovery, controladora da CNN. Ainda não há consenso entre os estados que ingressaram com a ação judicial, e alguns exigem contrapartidas adicionais da empresa.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, que lidera uma coalizão de 12 estados, tem pressionado pela conclusão do acordo. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, resiste aos termos discutidos e busca proteções adicionais para os trabalhadores. Connecticut e pelo menos outros dois estados também não aceitaram a proposta até o momento.
O procurador-geral de Connecticut, William Tong, está "lutando para preservar a independência da CNN e da CBS News", afirmou uma pessoa familiarizada com as negociações, sob condição de anonimato. James também manteve contato com pelo menos meia dúzia de sindicatos afetados, já que representa trabalhadores de Nova York empregados pelas duas empresas.
Se não houver acordo, o processo antitruste será julgado na Califórnia em março de 2027. A demora pode comprometer a aquisição. As negociações também ocorrem enquanto James, Bonta, Tong e alguns outros procuradores-gerais estaduais disputam a reeleição em novembro.
Bonta enfrenta pressão após supostas ameaças da Paramount de deixar a Califórnia. A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, declarou: "Vou lutar com todas as minhas forças" para manter a produção de cinema e televisão na cidade. O gabinete de Bonta disse que não confirmaria nem negaria a existência das negociações ou o conteúdo atribuído a um possível acordo.
Entre as possíveis concessões estão o monitoramento independente do conteúdo da CNN, compromissos relacionados aos lançamentos nos cinemas e a manutenção das operações dos dois estúdios separadas por um período. Bonta afirmou que defenderia soluções estruturais, como a venda de canais a cabo.
Críticas à fusão
Os opositores afirmam que a operação criaria um novo grupo dominante em Hollywood, reunindo os estúdios de cinema das duas companhias, dezenas de canais de televisão e as áreas de jornalismo da CBS News e da CNN. Eles também questionam os interesses do CEO da Paramount, David Ellison, e de seu pai, Larry Ellison, presidente executivo da Oracle.
Em junho, o Departamento de Justiça permitiu que a fusão avançasse sem impor concessões. Bonta disse que a análise não foi adequada e que os procuradores-gerais estaduais precisaram preencher essa lacuna.
A Block the Merger Coalition, formada por sindicatos e grupos de defesa de direitos de Hollywood, anunciou protestos nos escritórios dos procuradores-gerais. As manifestações estão previstas para domingo, em Los Angeles; segunda-feira, em Nova York; e terça-feira, novamente em Los Angeles, na sede do Writers Guild of America West.
A coalizão classificou o possível acordo como "um insulto a todos que se opuseram a essa transação prejudicial" e pediu que os procuradores-gerais bloqueiem a fusão por completo.








