A Rússia colocou sob administração temporária as operações locais da Nestlé e da Auchan, em uma medida que também atingiu subsidiárias de outras empresas europeias. O decreto foi assinado pelo presidente Vladimir Putin na quinta-feira, 17.
As empresas foram transferidas para a LEV Management, uma companhia de fachada. A medida não altera formalmente a propriedade dos ativos, mas a administração temporária pode abrir caminho para futuras transferências a investidores russos ligados ao Kremlin.
Justificativa do governo russo
O Kremlin relacionou a decisão à política dos países de origem das companhias em relação à guerra na Ucrânia. O porta-voz Dmitry Peskov disse nesta sexta-feira, 18, que “um dos fatores levados em consideração foi que estes são países hostis”. Segundo ele, os países também estariam “ativamente envolvidos em operações militares” contra a Rússia.
Peskov afirmou que, por enquanto, a medida se limita à administração externa e que nenhuma decisão foi tomada sobre a propriedade dos ativos.
Além da Nestlé e da Auchan, o decreto incluiu a Lemano Pro, antiga subsidiária russa da Leroy Merlin, e uma operação local da FM Logistic. As duas empresas são de origem francesa.
A Nestlé informou que avalia a situação e suas opções. A companhia disse estar “comprometida em tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações”, principalmente em relação aos funcionários.
Impacto para as empresas
A Nestlé atua na Rússia desde a década de 1990. As operações no país equivalem a cerca de 2% das vendas globais do grupo, com valor aproximado de 1,7 bilhão de francos suíços, ou cerca de US$ 2 bilhões, por ano. A companhia deixou de divulgar a Rússia separadamente nos resultados financeiros.
As ações da Nestlé recuaram pouco mais de 2% para 76,5 francos suíços na manhã desta sexta-feira, 18.
A Auchan tem cerca de 30 mil funcionários e 230 lojas na Rússia. A empresa não informa separadamente o faturamento da operação local. Rússia e Ucrânia responderam por pouco menos de 10% da receita do grupo, de € 15,5 bilhões, no primeiro semestre de 2025.
A tomada de ativos ocorre depois de medidas semelhantes contra as operações locais da Danone e da Carlsberg, incluindo a Baltika Breweries, em 2023. Posteriormente, as subsidiárias foram vendidas com grandes descontos a empresários russos ligados ao Kremlin.
Outras companhias, como Unilever e Heineken, venderam suas subsidiárias russas. Alexei Sagal também comprou operações da Ball Corporation e da Oriflame. Em julho, a britânica Reckitt fechou um acordo para vender parte de seus negócios no país a Sagal, após ser atingida por um novo pacote de sanções da União Europeia.
A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões entre a Rússia e países europeus. Nesta sexta-feira, 18, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou um plano para proteger infraestruturas críticas e locais estratégicos da França contra possíveis ataques híbridos russos. O plano deve incluir proteção contra drones e ciberataques e alcançar áreas sensíveis da indústria militar francesa.









