NOVA YORK — Uma instalação do artista americano Tom Sachs reproduz a fachada e o interior da loja histórica da Chanel na Rue Cambon, em Paris, usando papelão, fita adesiva e materiais reaproveitados. A obra não tem vínculo oficial com a grife e não oferece produtos à venda: ternos, sapatos, bolsas e joias expostos no espaço são falsos.
Réplica artesanal
Batizada de “31 Rue Cambon”, a instalação ocupa parte do estúdio onde Sachs trabalha há quatro décadas. A equipe, formada por cerca de vinte pessoas, refez a boutique no endereço 245 Centre Street, em Nova York. A abertura ao público ocorre nesta sexta-feira, 11 de setembro, durante a semana de moda da cidade, e a mostra fica em cartaz até 10 de outubro.
A fachada tem toldos cor de creme e grades com o duplo C entrelaçado. No interior, um lustre foi montado com woks de ferro fundido, refletores de Citi Bike e chumbadas de pesca. Os materiais também aparecem na reprodução de trinta e um ternos inspirados no modelo lançado por Coco Chanel em 1954.
Para criar a textura do tweed bouclé, os artistas usaram pentes comprados no Walmart para riscar a tinta e aplicaram gotas para simular o tecido. Botões dourados com coroas de louros foram esculpidos em polímero. Broches e colares foram feitos com strass e blocos de Lego e colocados em gavetas com frente de vidro.
Segundo Sachs, cada peça usa no máximo sete dólares em materiais, enquanto a versão original do conjunto, vendida pela Chanel, custa mais de 10.995 dólares. O terninho se tornou um dos símbolos da moda do século 20 e foi usado por Marlene Dietrich, Michelle Obama e Elizabeth Taylor.
Relação com marcas
A aproximação de Sachs com a Chanel começou em 1998, quando ele criou uma guilhotina funcional coberta com logotipos da marca. A peça foi montada com barreiras policiais furtadas e hoje integra o acervo permanente do Centre Pompidou, em Paris.
O artista também recriou um vaso sanitário com embalagens da Hermès e um lanche do McDonald’s com caixas da Tiffany. Em “31 Rue Cambon”, a mostra mantém essa combinação de crítica e fascínio pelo consumo de marcas.
Sachs afirma não ter conversado com ninguém da Chanel sobre o projeto. A entrada é gratuita, com horários limitados às quintas e sextas-feiras, das 18h às 20h, e aos sábados, das 13h às 18h. O espaço comporta um número reduzido de visitantes por sessão.








