A Volkswagen reduziu a previsão de lucro para 2026 e informou que os impactos negativos sobre os resultados podem chegar a 10 bilhões de euros (R$ 58,9 bilhões). A montadora espera agora uma margem operacional de 1% neste ano, ante uma estimativa anterior entre 4% e 5,5%.
A revisão foi anunciada nesta sexta-feira, 18. Entre os fatores estão uma baixa contábil de 6 bilhões de euros (R$ 35,3 bilhões) ligada à participação da Volkswagen na Porsche, a piora do mercado chinês e o aumento dos custos de uma reestruturação do grupo.
As ações da companhia chegaram a cair 7% durante o pregão após a divulgação da nova projeção.
Pressão sobre a Porsche e a China
A Volkswagen controla 75% da Porsche e revisou para baixo as expectativas para o desempenho futuro da fabricante de carros esportivos. A marca foi afetada pela deterioração do mercado chinês e pelas tarifas americanas. Sua margem de lucro caiu para 1,1% no ano passado, enquanto a rede de concessionárias na China vem sendo reduzida.
A baixa contábil não representa uma saída imediata de caixa de 6 bilhões de euros. O ajuste reduz o resultado contábil do grupo e reflete a revisão das expectativas econômicas associadas ao ativo.
A China, maior mercado automobilístico do mundo, também passou a representar uma fonte de pressão para a Volkswagen, a Audi, a Porsche e outras montadoras alemãs. Fabricantes como BYD e Xiaomi ganharam espaço, principalmente no segmento de veículos elétricos.
Arno Antlitz, diretor financeiro da Volkswagen, afirmou que o mercado chinês encolheu cerca de 20% e não apresenta sinais de estabilização. A demanda também migra para veículos elétricos a bateria, que atualmente têm margens menores para o grupo.
Custos da reestruturação
Um acordo firmado com os sindicatos prevê redução de custos e mudanças na estrutura produtiva da Volkswagen na Alemanha. O plano pode eliminar até 100 mil postos de trabalho e encerrar a produção de veículos em quatro fábricas alemãs.
A nova projeção inclui despesas com programas de aposentadoria antecipada e gastos relacionados à planejada venda da fábrica de Osnabrück para um grupo de investimentos israelense.
A Volkswagen enfrenta ainda tarifas americanas, o avanço de fabricantes chinesas e a necessidade de investir na transição para carros movidos a bateria. As ações haviam subido cerca de 9% após a aprovação do plano de reestruturação pelo conselho de supervisão, mas a revisão das projeções voltou a pressionar a companhia.








