OSNABRÜCK — A fábrica da Volkswagen em Osnabrück poderá manter parte dos empregos atuais caso seja convertida para a produção de equipamentos de defesa. Pelo menos 1,2 mil dos cerca de 1,8 mil postos da unidade poderão ser preservados com o novo projeto, de acordo com o conselho de trabalhadores.
A montadora informou nesta segunda-feira, 7, que chegou a um entendimento para transferir a unidade ao Aurelius Capital, grupo de investimentos baseado em Tel Aviv. A empresa deverá controlar a operação e trabalhar com a Rafael Advanced Defence Systems, de Israel.
Negociação ainda depende de aprovações
O acordo prevê avaliar a instalação de uma operação voltada à fabricação de sistemas de defesa aérea e de componentes para esses equipamentos. A produção teria como destino o mercado alemão e outros países europeus, mas a transferência ainda não foi concluída.
As empresas precisam definir o modelo societário, as responsabilidades de cada participante e obter autorizações de órgãos reguladores. O valor da negociação não foi divulgado.
A Rafael fabrica mísseis guiados, sistemas de guerra eletrônica e soluções de defesa aérea. Entre os equipamentos da companhia estão o Domo de Ferro, usado por Israel, o Iron Beam, que emprega laser para interceptar alvos aéreos, e o Trophy, sistema de proteção ativa instalado nos tanques Leopard produzidos na Alemanha.
Mudança ocorre durante reestruturação
A produção de veículos em Osnabrück deve terminar em 2027. A fábrica, que tem 125 anos de história, produz atualmente o T-Roc Cabriolet e também os modelos Cayman e Boxster, da Porsche, marca controlada pelo grupo Volkswagen.
A decisão faz parte da reestruturação da montadora, que enfrenta concorrência de fabricantes chineses, tarifas dos Estados Unidos e demanda fraca por veículos elétricos. No Plano Futuro 2030, a Volkswagen prevê reduzir pela metade o número de modelos e eliminar aproximadamente 50 mil postos de trabalho, além de outros 50 mil cortes já anunciados.
A empresa havia decidido, ainda em 2024, retirar a produção de veículos da unidade até 2027. A possível conversão ocorre enquanto a Alemanha amplia os gastos militares: a verba do Ministério da Defesa deverá subir de 82,7 bilhões de euros neste ano para 109,7 bilhões de euros no próximo.








