A Volkswagen reduziu a projeção de lucro para 2026 e passou a estimar margem operacional de até 1%, contra a faixa anterior de 4% a 5,5%. A revisão inclui uma baixa contábil de 6 bilhões de euros ligada à Porsche, além dos efeitos da piora do mercado chinês e dos custos de reestruturação.
O impacto negativo total sobre os resultados pode chegar a cerca de 10 bilhões de euros, segundo a companhia. A nova estimativa fica abaixo do consenso de 4,1% esperado por analistas. Mesmo sem os itens extraordinários, a Volkswagen calcula margem operacional de aproximadamente 4%.
Pressão sobre a Porsche e a China
A baixa foi registrada após a Volkswagen revisar o planejamento de longo prazo e as premissas usadas para avaliar a Porsche. A marca de carros esportivos de luxo enfrenta queda na demanda na China, tarifas de importação dos Estados Unidos e dificuldades relacionadas à estratégia de veículos elétricos.
A Porsche teve margem de lucro de 1,1% no ano passado. A empresa prepara uma apresentação para investidores e analistas em 7 de outubro, quando deve divulgar metas financeiras de médio prazo e atualizar sua estratégia.
A Volkswagen também citou a deterioração do mercado chinês como um dos principais motivos para a revisão. A companhia perdeu espaço para fabricantes locais em um período de fraqueza da economia chinesa. “O maior mercado único do mundo caiu 20%, sem qualquer sinal de consolidação. Não podemos escapar dessa tendência”, afirmou o diretor financeiro Arno Antlitz.
A montadora alertou que uma piora adicional, especialmente na China, pode pressionar ainda mais os resultados. Entre os fatores estão a concorrência de BYD e Xiaomi e mudanças nos impostos chineses sobre veículos de luxo.
Reestruturação e reação do mercado
A empresa informou que realizará, no segundo semestre, novas baixas contábeis de 2 bilhões de euros relacionadas ao mercado chinês e a medidas de reorganização. Os custos incluem programas de aposentadoria antecipada e a venda planejada da fábrica de Osnabrück, na Alemanha.
A unidade deve deixar de produzir veículos em 2027. O local será vendido para a israelense Aurelius Capital e para o estado da Baixa Saxônia, que planejam utilizá-lo na fabricação de equipamentos de defesa.
O plano de reestruturação prevê cortes de até 100 mil empregos no mundo, o dobro do número inicialmente planejado. A Volkswagen também enfrenta pressão para reduzir o excesso de capacidade das fábricas e os custos na Alemanha.
A companhia projeta receita de cerca de 315 bilhões de euros em 2026, abaixo dos 321,9 bilhões registrados em 2025. A previsão considera as tarifas em vigor inalteradas e não inclui possíveis efeitos futuros da guerra no Oriente Médio. Cerca de 900 milhões de euros em impactos já haviam sido registrados no primeiro semestre.
Após o alerta de lucro, as ações da Volkswagen chegaram a cair 7,5% em Frankfurt e fecharam o pregão nesta sexta-feira, 18, com baixa de 5,6%. Os papéis da Porsche recuaram 3,3%, enquanto a Porsche SE caiu 4,9%. BMW, Mercedes-Benz e Ford também foram afetadas. O relatório do terceiro trimestre da Volkswagen será divulgado em 29 de outubro.








